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Brasil Uma pesquisa do instituto Datafolha aponta que 45% dos brasileiros acreditam que as eleições vão melhorar a vida no País

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De acordo com a Constituição, o voto é facultativo para os analfabetos, eleitores com 16 e 17 anos e 70 anos ou mais. (Foto: Agência Brasil)

A mais recente pesquisa do instituto Datafolha aponta que grande parte dos brasileiros está otimista com o impacto das próximas eleições para a melhoria da vida e da política no País: para 45% dos entrevistados, o resultado do pleito geral de outubro vai fazer a vida melhorar. Já 35% acreditam que a vida ficará igual, enquanto 7% estimam que a vida vai piorar.

Quando perguntados sobre o perfil dos políticos eleitos, 45% afirmam que eles serão melhores do que os representantes atuais. Para 38%, os escolhidos serão iguais ao de hoje e, para 6%, serão piores.

A pesquisa ouviu 2.824 pessoas em 174 municípios nos dias 6 e 7 deste mês. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Cenários

Nestas eleições serão escolhidos o presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e os estaduais. O mesmo instituto mostrou, no domingo, que o deputado Jair Bolsonaro (PSL) mantém a liderança da corrida ao Palácio do Planalto, com 19% das preferências, nos cenários em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está ausente.

A ex-senadora Marina Silva (Rede) aparece logo depois no levantamento, com até 15% das intenções de voto. O ex-ministro Ciro Gomes (PDT), que oscila entre 10 e 11%, e o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), que tem 7%, estão tecnicamente empatados.

Simulações feitas pelo Datafolha para o segundo turno da eleição reforçam os sinais de que muitos eleitores não encontram alternativa sem o nome líder petista nas urnas. Em cinco dos nove cenários em que ele não aparece, o número de eleitores sem opção, dispostos a votar em branco ou anular o voto supera o de apoiadores do candidato vencedor. Marina, por sua vez, aparece com as melhores chances contra Bolsonaro no segundo turno.

“Bolhas”

A pesquisa sugere, ainda, que candidatos e eleitores se concentram em bolhas cada vez mais isoladas a caminho da campanha. Presidenciáveis atraem grupos homogêneos em vez de expandir suas plataformas, empurrando a disputa para um cenário de segregação.

A aglomeração do eleitorado em nichos aponta para o risco de divisões regionais e sociais ainda mais intensas do que a polarização entre PT e PSDB que marcou a política nos últimos 24 anos.

Bolsonaro, por exemplo, tem os votos de 26% dos homens, mas é a opção de apenas 12% das mulheres. No Centro-Sul, ele atinge 21%, contra 12% no Nordeste. Pontua 25% entre eleitores com curso superior, mas só 11% entre brasileiros com ensino fundamental.

De outro lado, Lula atrai 38% dos eleitores de baixa renda e s ó 23% da população mais rica. Bate 49% no Nordeste, mas se limita a 22% no Centro-Sul. O ex-presidente não deve ser candidato, mas os dados revelam o perfil de sua herança política.

Acolhidos em seus times, eleitores de Bolsonaro e Lula são aqueles que mais rejeitam votar em outros candidatos. Também declaram voto nulo em proporções acima da média nas simulações de segundo turno que não incluem seus favoritos.

A ocupação firme dos segmentos preenche o vácuo que candidatos como Geraldo Alckmin (PSDB) e Ciro Gomes (PDT) buscam para crescer. Eles esperam dispersar essas concentrações quando as engrenagens da campanha começarem a girar.

A pulverização estimula o apelo aos nichos. Com tantos nomes na disputa, 15% podem ser suficientes para se chegar ao segundo turno. Para isso, basta que o candidato fale aos seus. Não precisa se expor ao público amplo dos debates da TV.

As características desta pré-campanha indicam que o país poderá ir às urnas fragmentado. Não será fácil reorganizar o eleitorado e atingir uma maioria no segundo turno. O próximo presidente poderá tomar posse em um país tão conflagrado politicamente quanto em 2014-2015.

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