Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 2 de maio de 2020
Uma tentativa de fuga coletiva, seguida por motim, deixou ao menos 46 mortos e 60 feridos no presídio Los Llanos, na cidade de Guanare, região noroeste da Venezuela. De acordo com a imprensa do país latinoamericano, a rebelião foi encerrada após negociação entre detentos e diretores da penitenciária, que utilizou nas tratativas um megafone.
O tumulto teria começado quando um grupo de presos tentou escapar pelo portão principal da instituição, sendo repelido com disparos por pelos guardas que fazem a segurança das instalações. “Houve um incidente com tiros e feridos”, confirmou o governo de Caracas, sem fornecer mais detalhes sobre o episódio e sua motivação.
Peru
Na última terça-feira (28), um incidente semelhante foi registrado em um centro de detenção próximo à Lima, capital do Peru, resultando em nove mortes e aproximadamente 70 feridos, incluindo apenados, agentes e policiais. Segundo informações do Inpe (Instituto Nacional Penitenciário), rebeldes tentavam escapar em massa por medo do contágio por coronavírus no local.
Um dia antes, um dos apenados havia morrido por causa da doença. Revoltados, colegas queimaram colchões e fizeram cartazes com pedidos por liberdade e mensagens sobre a doença. As instalações da penitenciária abrigam 5,5 mil detentos, cinco vezes mais que a capacidade prevista.
As autoridades tinham informado na véspera que a situação na penitenciária tinha sido controlada e que havia três mortos, resultado dos esforços da polícia e dos guardas para conter a rebelião. Além das mortes, houve dezenas de feridos: 60 agentes penitenciários, cinco policiais e dois presidiários, informou o Inpe.
“Todos os cadáveres foram levados para a necrópsia com diagnóstico de suposto impacto de bala”, informou a Polícia. Angustiados, familiares se reuniram do lado de fora da prisão em busca de informações sobre os detentos.
“Há muitos presos que morreram lá dentro, estão feridos e, assim, vão morrer sem que ninguém tenha cuidado deles”, desabafou à imprensa um parente de um dos presos. “Eles não têm água e não podem fazer nada.”
“Após duas horas de protesto, os presos assinaram uma ata com o diretor da prisão para receberem atendimento médico e depois retornaram para suas celas”, declarou um porta-voz do governo. Os detentos seguravam cartazes com pedidos de socorro – um deles dizia: “Estamos morrendo. Não nos deixem morrer infectados, precisamos de remédios”.
O chefe do INPE, Gerson Villar, confirmou que dois detentos morreram por Covid-19 no domingo e disse que as reclamações dos presidiários tinham a ver com os indultos oferecidos pelo governo por causa da pandemia e da falta de remédios. Na semana anterior, o governo peruano havia anunciado o indulto de cerca de 3 mil presos em situação de vulnerabilidade por causa do novo coronavírus.
Outro tumulto, também reprimido pelas autoridades, ocorreu na segunda-feira na prisão da cidade andina de Huancayo, cerca de 200 km a sudeste de Lima, após a morte de dois prisioneiros por coronavírus. Em 18 de abril, em uma prisão na cidade de Chiclay, no norte, dois detentos morreram em outro motim por medo do coronavírus.
A pandemia deixou até o momento 15 presos mortos e mais de 600 infectados nas prisões peruanas. Há 97,5 mil presidiários em 68 unidades, com uma superpopulação de 50 mil detentos acima da capacidade das prisões, segundo o INPE. Além disso, 169 agentes penitenciários testaram positivo para o vírus e sete morreram.
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