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Porto Alegre Unidades especializadas da prefeitura de Porto Alegre têm recorde em acolhimentos de mulheres vítimas de violência

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Números incluem crianças e adolescentes que acompanhavam suas mães. (Foto: Freepik)

Balanço divulgado nessa quinta-feira (8) pela Secretaria Municipal da Inclusão e Desenvolvimento Humano (SMIDH) de Porto Alegre aponta em 2025 um recorde de 1.745 protocolos nas unidades da prefeitura especializadas no acolhimento a mulheres vítimas de violência. O número inclui crianças e adolescentes que acompanhavam suas mães,

A Casa de Passagem Betânia acolheu 276 mulheres, 143 crianças e 34 adolescentes, somando 453 atendimentos ao longo do ano. O resultado representa um crescimento expressivo em relação a 2024, quando foram registrados 208 mulheres, 112 crianças e 15 adolescentes acolhidos, demonstrando a ampliação da capacidade de atendimento e a maior efetividade dos serviços municipais.

Desde a abertura da Casa de Passagem Betânia, em novembro de 2022, foram contabilizados ao menos 1.144 acolhimentos, envolvendo 688 mulheres, 389 crianças e 67 adolescentes, evidenciando a relevância do serviço na garantia de proteção, segurança e reconstrução de trajetórias de vida.

A coordenadora dos Direitos da Mulher, Fernanda Mendes Ribeiro, destaca que a criação do espaço, estruturado para oferecer acolhimento imediato, desburocratizado e com atendimento 24 horas, teve impacto direto na redução dos índices de feminicídio na Capital. Segundo ela, já no primeiro ano de funcionamento, em 2023, houve uma queda de cerca de 80% nos casos, com o registro de apenas três ocorrências fatais, número que se repetiu em 2025:

“Nos dois anos, as vítimas não haviam acessado a rede de proteção ‘Conta Comigo’, e os agressores não possuíam registros de ocorrência ou histórico de violência. Não se trata apenas de acolher, mas de garantir atendimento humanizado, articulação em rede e caminhos reais para a autonomia e a dignidade. A Smidh, junto à Diretoria de Direitos Humanos e à Coordenadoria dos Direitos da Mulher, tem trabalhado para ampliar serviços, qualificar atendimentos e assegurar que nenhuma mulher fique sem apoio”.

O Centro de Referência de Atendimento à Mulher Márcia Calixto (Cram) também registrou desempenho significativo em 2025. Até o mês de novembro, o serviço somou aproximadamente 1.292 atendimentos, incluindo novos casos, retornos, monitoramentos e contatos realizados por telefone, whatsapp e videochamada, o que ampliou o alcance e a agilidade do acesso das mulheres aos atendimentos especializados.

A inclusão dos atendimentos remotos permitiu maior alcance e agilidade, fortalecendo o acompanhamento das usuárias e garantindo orientações jurídicas, psicossociais e encaminhamentos adequados, mesmo em situações de dificuldade de deslocamento.

Conforme a prefeitura, os dados confirmam o avanço das políticas públicas voltadas a mulheres em situação de violência doméstica e de gênero, bem como o fortalecimento contínuo da rede de proteção “Conta Comigo” na capital gaúcha. O titular da SMIDH, Juliano Passini, os números demonstram a efetividade do trabalho desenvolvido:

“Estamos ampliando o acesso, qualificando os serviços e garantindo que a rede funcione de forma articulada. Cada atendimento representa um compromisso a proteção, cuidado e reconstrução de trajetórias de vida”.

Casa Viva Maria

Os atendimentos da Casa Viva Maria não estão incluídos no balanço, em função da suspensão temporária das atividades do serviço desde 31 de agosto do mesmo ano, decorrente do processo de transição da gestão da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) para a SMIDH.

Durante esse período, a Casa de Passagem Betânia absorveu integralmente os acolhimentos, com a ampliação dos prazos de permanência, assegurando a continuidade da proteção e do atendimento sem prejuízo às usuárias. A reabertura está prevista para este mês, quando o equipamento voltará a integrar plenamente a rede municipal de proteção às mulheres.

(Marcello Campos)

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