Sábado, 17 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 16 de outubro de 2026
Os laboratórios farmacêuticos americanos MSD e Moderna anunciaram resultados positivos na fase final dos ensaios clínicos de seu tratamento experimental com RNA mensageiro contra o câncer de pele, direcionado a pacientes com melanoma em estágio avançado.
“Trata-se da primeira leitura de resultados positivos de uma fase 3 (…) para uma terapia contra o câncer baseada em mRNA”, anunciaram os dois gigantes do setor farmacêutico em um comunicado conjunto.
Há décadas, as vacinas contra o câncer figuram entre as ideias mais promissoras no tratamento da doença. Ao contrário das vacinas tradicionais, que previnem a doença, o objetivo das vacinas contra o câncer é mobilizar o próprio sistema imunológico do paciente para atacar os tumores. Elas também podem ser usadas para prevenir o câncer de retornar.
O novo tratamento, denominado “intismeran autogene”, é baseado na tecnologia do ácido ribonucleico mensageiro (mRNA), que consiste em instruir as células do organismo sobre como produzir proteínas capazes de desencadear uma resposta imunológica. Trata-se de uma terapia “sob medida”, desenvolvida a partir das mutações específicas do tumor de cada paciente.
O objetivo é treinar e ativar o sistema imunológico do paciente para que reconheça e ataque as células cancerígenas. A intismeran é produzida sequenciando o tumor do paciente e selecionando os chamados “neoantígenos”, que ensinam o sistema imunológico a atacar o câncer.
Eles utilizam a tecnologia de mRNA — rápida e flexível — para criar uma vacina com neoantígenos selecionados para cada paciente. O processo leva cerca de seis semanas.
“Durante muitos anos, a ideia de criar um tratamento de mRNA desenvolvido especificamente para o câncer de uma pessoa era difícil de imaginar. Hoje, estamos contribuindo para transformar esta visão em realidade”, declara Stéphane Bancel, CEO da Moderna.
Em um estudo de fase 3, etapa decisiva antes de solicitar a autorização de comercialização, envolvendo 1.137 pessoas com melanoma de alto risco submetidas à cirurgia para remoção do câncer, aqueles que receberam a vacina personalizada contra o câncer, em conjunto com o medicamento de imunoterapia Keytruda, da MSD, apresentaram menor probabilidade de recidiva ou disseminação da doença em comparação com os pacientes que receberam apenas o Keytruda.
Os resultados de fase 3 complementam os dados de fase 2b anteriormente relatados, incluindo dados de acompanhamento de cinco anos apresentados na Reunião Anual da ASCO de 2026, nos quais a combinação demonstrou uma redução de 49% no risco de recorrência ou morte e uma redução de 59% no risco de metástase à distância ou morte, em comparação com o Keytruda isolado.
A Moderna se tornou conhecida do grande público por ser uma das pioneiras mundiais das vacinas de RNA mensageiro. A empresa foi uma das primeiras, ao lado da Pfizer-BioNTech, a desenvolver e comercializar em larga escala uma vacina baseada nesta tecnologia contra a Covid-19.
MSD e Moderna planejam apresentar os dados em um congresso médico e iniciar os trâmites com as autoridades para solicitar a aprovação do tratamento. O melanoma é uma das formas mais letais de câncer de pele, com mais de 330 mil novos casos diagnosticados em todo o mundo em 2022, número que está em alta, lembram os laboratórios. (Com informações do portal O Globo)
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