Segunda-feira, 02 de fevereiro de 2026
Por Gisele Flores | 2 de fevereiro de 2026
Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul destaca importância de imunização adequada durante a gravidez
Foto: Marcelo MatuziakEspecialistas reforçam que imunizar gestantes garante anticorpos essenciais ao recém-nascido e reduz internações por doenças respiratórias.
A vacinação durante a gestação deixou de ser apenas uma recomendação médica e passou a ser reconhecida como uma estratégia de saúde pública capaz de salvar vidas. Imunizar gestantes significa proteger duas pessoas ao mesmo tempo: a mãe e o bebê, especialmente nos primeiros meses de vida, quando o sistema imunológico infantil ainda é imaturo e vulnerável.
Segundo o pediatra Juarez Cunha, membro do Comitê de Imunizações da SPRS (Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul), a gravidez é uma oportunidade única para revisar o calendário vacinal. “A mulher jovem que engravida precisa colocar a vacinação em dia, porque algumas vacinas protegem não só a mãe, mas também o bebê nos primeiros meses de vida, quando ele ainda é mais vulnerável”, explica.
Vacinas que fazem diferença
Entre os imunizantes recomendados estão a vacina contra influenza, que reduz complicações respiratórias e hospitalizações, e a vacina contra COVID-19, que previne formas graves da doença e diminui riscos de parto prematuro.
A grande novidade é a vacina contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), principal causador da bronquiolite em bebês. Indicada a partir da 28ª semana de gestação, ela garante proteção ao recém-nascido nos primeiros seis meses de vida, especialmente nos três iniciais, considerados os mais críticos. “Ao vacinar a gestante, os anticorpos são transferidos para o bebê, oferecendo uma proteção importante logo no início da vida”, ressalta Cunha.
Impacto direto na saúde infantil
A bronquiolite é uma das principais causas de internação em lactentes. Dados do Sistema Único de Saúde (SUS) mostram que, entre 2010 e 2022, foram registradas em média 120 mil internações anuais por bronquiolite viral aguda em crianças menores de dois anos, com custos hospitalares que ultrapassam R$ 150 milhões por ano. O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) responde por até 80% dos casos.
Esses números evidenciam o peso da doença na pediatria brasileira e reforçam a importância da imunização materna como forma de reduzir internações e complicações graves.
Cobertura vacinal em gestantes
Segundo o Ministério da Saúde, a cobertura vacinal contra influenza em gestantes no Brasil tem oscilado entre 60% e 70% nos últimos anos, abaixo da meta de 90% estabelecida pelo Programa Nacional de Imunizações. Essa lacuna mostra que ainda há desafios na adesão às campanhas e na conscientização sobre os benefícios da imunização durante a gravidez.
O Observatório Obstétrico Brasileiro também aponta que a hesitação vacinal e a falta de informação são barreiras importantes para alcançar maior cobertura.
O pré-natal como espaço de informação
O acompanhamento pré-natal é o momento ideal para revisar o histórico vacinal e esclarecer dúvidas. Médicos e enfermeiros têm papel fundamental em orientar sobre quais vacinas são seguras e necessárias em cada fase da gestação. A decisão deve ser baseada em evidências científicas e nas recomendações do Programa Nacional de Imunizações (PNI), que garante acesso gratuito às vacinas essenciais.
Proteção que começa no ventre
Vacinar-se durante a gestação é um gesto que transcende o cuidado individual. É uma escolha que protege a mãe, fortalece o bebê e contribui para a saúde coletiva. Em tempos de desinformação e hesitação vacinal, reforçar a confiança na ciência é essencial. A imunização materna é, portanto, uma estratégia que garante que os primeiros meses de vida sejam vividos com mais segurança e menos riscos. (por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)