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Geral Vacinação privada: Empresa que aplicar vacina em funcionário sem o aval da Anvisa assumirá risco, diz ex-procurador-geral do Trabalho

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Serviço é oferecido em 30 postos de saúde e três drive-trhrus. (Foto: EBC)

Se virar lei a proposta aprovada pelos deputados federais que permite a empresas comprarem vacina contra a covid-19 sem aval da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), quem seria o responsável por eventuais efeitos colaterais prejudiciais desses produtos?

As próprias empresas – que poderiam ser responsabilizadas judicialmente –, segundo a avaliação do ex-procurador-geral do trabalho Ronaldo Fleury, em entrevista à BBC News Brasil.

“Essas empresas, na medida em que assumem para si uma imunização de trabalhadores para permitir seu funcionamento, assumem o risco de eventuais eventos adversos”, disse o subprocurador-geral do trabalho.

O Ministério Público do Trabalho (MPT) estuda se, caso a lei seja aprovada, uma eventual recusa do trabalhador a tomar uma vacina sem aprovação da Anvisa poderia, no limite, gerar demissão por justa causa.

A permissão para que empresas privadas comprem doses de vacina contra a covid-19 mesmo sem aval da Anvisa foi aprovada com grande margem de votos na Câmara (317 votos a favor do texto-base e 120 contra) e, agora, está nas mãos do Senado. Se for aprovada sem alterações, segue para sanção do presidente – a mudança na lei conta com apoio do governo Bolsonaro.

Hoje, já está em vigor no Brasil uma lei que autoriza a compra de vacinas pelo setor privado, mas ela exige que as doses sejam totalmente doadas ao sistema público de saúde enquanto estiver em vigor a vacinação de grupos prioritários. Somente após a conclusão desta etapa, as empresas poderão ficar com metade das doses adquiridas para aplicação em seus funcionários, a outra metade fica com o SUS.

Agora, o projeto em discussão permite que as empresas comecem logo sua própria vacinação, desde que repassem metade das doses ao SUS.

É por causa desse trecho do projeto que uma das principais críticas é a de que ele permite que as pessoas vacinadas por essas empresas “furem a fila” prevista no calendário do Programa Nacional de Imunização (PNI).

Fleury diz ser “radicalmente contra” a proposta em um cenário em que o Brasil não tem a quantidade desejável de vacinas e, ao mesmo tempo, registra mais de 4 mil mortes em um dia devido à covid-19.

“A situação seria muito diferente se tivéssemos vacinas (suficientes) ofertadas pelo sistema público e os empresários optassem pelo fornecimento de vacinas, como ocorre hoje com a vacina da gripe, que é comum as empresas comprarem um lote e distribuírem.”

Os parlamentares que defendem a proposta, como o autor, Hildo Rocha (MDB-MA), e a relatora na Câmara, deputada Celina Leão (PP-DF), dizem que a medida ajudaria a salvar vidas e não legalizaria o “fura-fila”, mas tiraria pessoas da fila do SUS.

Segundo o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), a mudança levaria mais agilidade ao processo de vacinação no país. Ele defendeu a proposta ao lado do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga.

Na avaliação de Fleury, qualquer resultado decorrente de uma vacinação privada em que for aplicada uma vacina sem aval da agência reguladora brasileira, “sem dúvida nenhuma, é responsabilidade da empresa”.

“A partir do momento que a empresa escolher uma vacina aprovada em um país qualquer, aplicar essas vacinas nos funcionários e houver reação que venha a trazer prejuízos à saúde do trabalhador, o risco é da empresa.” As informações são da BBC News Brasil.

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