Sexta-feira, 06 de março de 2026
Por Redação O Sul | 4 de março de 2026
Com custos que podem chegar a R$ 25 mil por semana, a ida para a Copa do Mundo exige mais do que apenas empolgação para a torcida. Para os que vão viajar para o Mundial, especialistas recomendam não subestimar os gastos e se atentar também a inflação dos serviços.
Como a competição será sediada em três países (EUA, México e Canadá), o viajante lidará com três moedas diferentes e um cenário de dólar volátil, o que torna o planejamento financeiro mais complexo e essencial.
Para o torcedor que pretende manter o padrão de consumo, os números são elevados:
– Aéreo: Passagens de ida e volta podem ultrapassar os R$ 7 mil;
– Ingressos: Entradas para jogos da Seleção Brasileira partem de US$ 900, podendo ultrapassar os US$ 4 mil em fases decisivas;
– Logística: Considerando hospedagem de padrão médio, transporte e alimentação, o orçamento mínimo para uma semana de viagem orbita os R$ 25 mil.
Segundo Mario Marques, professor de economia da SKEMA Business School, o perigo reside na falta de liquidez. “Sem uma reserva específica, o investidor acaba resgatando aplicações em momentos desfavoráveis, perdendo o efeito dos juros compostos no longo prazo”, alerta.
Além disso, a edição de 2026 traz um componente de risco financeiro ausente em edições anteriores: o sistema de saúde americano. Sem uma rede pública, despesas médicas não previstas podem se tornar um “cisne negro” no planejamento.
– Um simples acionamento de ambulância nos EUA custa, em média, US$ 500 (aprox. R$ 2.500), segundo levantamento da Coris, empresa de assistência e seguro viagem;
– Já internações curtas podem facilmente superar o valor total da viagem.
Cláudia Brito, diretora comercial da Coris, pontua que muitos viajantes tratam o seguro viagem como despesa, quando na verdade ele é um instrumento de proteção financeira e gestão de risco. “Em grandes eventos, com serviços sobrecarregados, a falta de cobertura pode gerar um passivo inesperado impossível de controlar.”
Como se organizar para uma viagem sustentável financeiramente? Para evitar que o lazer se transforme em endividamento ou erosão patrimonial, a recomendação dos especialistas é:
– Hedge cambial: Faça compras fracionadas de moeda para garantir um preço médio e evitar sustos com a volatilidade de última hora.
– Margem de segurança: Mantenha uma reserva de 15% a 20% sobre o valor total para absorver imprevistos e a inflação local de serviços.
– Análise de custo de oportunidade: Avalie se vale mais a pena resgatar aplicações ou buscar outras formas de financiamento que não interrompam os investimentos.
Ao ser tratada como um projeto financeiro — com planejamento, proteção e controle de danos — a experiência da Copa torna-se sustentável, permitindo que o investidor desfrute do evento sem comprometer o equilíbrio de sua carteira no médio e longo prazo. As informações são do jornal Valor Econômico.
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