Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 23 de abril de 2021
Os brasileiros que já receberam ao menos uma dose das vacinas contra a covid têm diversas dúvidas sobre o período pós-imunização.
Veja a seguir, especialistas prestando esclarecimentos sobre os principais pontos desta nova etapa do enfrentamento da pandemia.
1) Depois de tomar a vacina, o que eu posso fazer?
No atual cenário do Brasil, os cuidados precisam continuar e nada deve mudar. O comportamento deve ser o mesmo, vacinado ou não. O país segue batendo recordes e a média móvel de mortes nos últimos 7 dias bateu um novo recorde. Mesmo após tomar as duas doses (a imunização completa), a pessoa vacinada deve continuar usando máscaras, deve evitar aglomerações e manter a higiene das mãos.
Entretanto, os estudos ainda não apontaram se as vacinas também conseguem interromper a transmissão do vírus, como explicou a vice-diretora da OMS, Mariângela Simão. “As vacinas que temos disponíveis não comprovaram serem eficazes para a transmissão da doença. Elas são eficazes para evitar que a doença progrida para casos graves”.
2) Se meus pais estiverem vacinados, posso encontrar com eles sem máscara?
Não pode. “A vacinação feita nos pais não dá 100% de proteção e estamos em um momento de grande circulação do vírus. Ainda não temos a garantia que as pessoas vacinadas estão absolutamente protegidas”, orienta Raquel Stucchi, infectologista da Unicamp e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).
A máscara continua sendo item obrigatório, assim como o distanciamento social, higiene das mãos e ambientes ventilados. “O fato de estar vacinado não é passaporte para a imunidade. Para encontrar alguém [mesmo vacinado] é preciso continuar mantendo os cuidados mínimos. E claro, se alguém estiver doente, o encontro não deve acontecer”, alerta a infectologista do Hospital Emílio Ribas, Rosana Richtmann.
3) Posso ter encontros sem máscara com mais pessoas se estivermos todos vacinados?
Para o Brasil, ainda não há nenhuma orientação do tipo, e especialistas recomendam seguir usando a máscara mesmo nesses casos.
4) Se eu já tive coronavírus, preciso tomar a vacina?
Sim. Especialistas dizem que os dados indicam que a vacina deve ser aplicada em que já teve a doença. A vacina pode oferecer uma imunidade mais duradoura e trazer mais benefícios em relação à nossa imunidade natural.
Em fevereiro, a OMS divulgou novas diretrizes sobre a vacinação para quem teve ou está com a doença. No texto, a entidade reforçou que pessoas com teste positivo para covid devem esperar a recuperação da “fase aguda da doença e a suspensão do isolamento”.
Além disso, quem estiver infectado pode adiar a vacinação por 6 meses. A entidade diz que, quando mais dados estiverem disponíveis sobre a duração da imunidade depois da infecção natural, a duração do adiamento pode ser revisada.
5) Depois de quanto tempo estou imunizado?
Mesmo após as duas doses da vacina, nosso organismo não gera uma resposta imune imediata, explica o infectologista Jose Geraldo Leite Ribeiro, vice-presidente regional da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).
“A proteção se dá um tempo após a aplicação da segunda dose, e esse tempo varia de acordo com cada vacina. Na maioria delas, a imunidade acontece a partir de dez ou vinte dias após a segunda dose”, afirma.
“Se uma pessoa que tomou a vacina se infectar antes desse tempo, não quer dizer que a vacina falhou, mas que não deu tempo do sistema imunológico criar a resposta imune”, explica o infectologista Renato Kfouri, presidente do departamento de imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria.
6) Posso tomar a vacina da gripe junto com a vacina da covid-19?
Não. O governo federal recomenda que as pessoas que fazem parte do grupo prioritário tomem primeiro a vacina contra a covid-19 e depois a vacina contra a gripe. A recomendação é que haja um intervalo mínimo de 15 dias entre a aplicação das duas vacinas.
7) Quem está com covid pode se vacinar?
Quem tem teste PCR positivo não deve ser vacinado, segundo a OMS. O teste PCR é aquele que coleta material com um cotonete e realiza a análise em laboratório para identificar se há presença de vírus ativo no organismo. Quem não tem sintomas ou um resultado PCR negativo deve tomar a vacina normalmente.
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