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Mundo Veja o que está por trás da falta de trabalhadores nos Estados Unidos

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A rede de restaurantes Pollo Tropical em Miami oferece um bônus de US$ 500 para quem quiser trabalhar com eles. (Foto: Reprodução)

Quando aumentou o fluxo de clientes no restaurante familiar Pineapple Grill, no Texas (EUA), Pomai Uyehara se viu em apuros: não conseguia contratar trabalhadores suficientes. Foi então que teve a ideia de oferecer um bônus de US$ 300 para o cargo de chef e um bônus de US$ 150 para os garçons, além de outros incentivos monetários de acordo com o desempenho no trabalho.

Esses mesmos tipos de incentivos para atrair funcionários estão em toda parte. Além de aumentar os salários, empresas estão oferecendo pagar estudos, planos de saúde, horários mais flexíveis, bônus e até dinheiro apenas para comparecer a uma entrevista.

À medida que a recuperação econômica avança, as empresas precisam de mais trabalhadores. Tanto que as vagas de emprego em junho atingiram o recorde de 10,1 milhões, segundo dados do Departamento de Trabalho dos EUA.

Os que buscam trabalhadores com mais urgência são restaurantes, hotéis, redes de alimentos, supermercados, lojas de varejo e a indústria do entretenimento.

No centro do debate sobre as razões que explicam o fenômeno estão duas principais visões. Há aqueles que acreditam que as pessoas não querem trabalhar porque preferem viver dos benefícios sociais que o governo oferece aos desempregados em decorrência da pandemia (US$ 300 por semana). E há os que argumentam que a questão é muito mais complexa.

Embora a maioria das vagas de emprego sejam aquelas que tradicionalmente pagam os salários mais baixos, certamente a escassez de trabalhadores permeou setores mais amplos da sociedade. Justamente por não se tratar de uma massa homogênea de pessoas, as razões para compreender esse fenômeno são tão diferentes quanto as pessoas que o vivenciam.

Veja algumas das causas da acentuada escassez de funcionários nos Estados Unidos

1. Salários e condições de trabalho

Com tantas vagas disponíveis, os trabalhadores têm certeza de que esse é o momento de conseguir um salário melhor pelo mesmo tipo de trabalho que faziam antes.

Embora não haja uma lei federal que estabeleça um salário-mínimo de US$ 15 por hora, cada vez mais empresas estão se aproximando desse limite devido à falta de mão de obra. Mas o dinheiro não é tudo.

2. Benefícios para desempregados

Muitos empresários afirmam que não conseguem preencher suas vagas porque os US$ 300 que um desempregado recebe por semana como benefício do governo para enfrentar a pandemia os incentiva a viver de assistência social em vez de trabalhar.

Assim, alguns Estados republicanos começaram a interromper o pagamento de benefícios para encorajar o retorno ao trabalho. Por se tratar de uma medida recente, ainda não há dados que avaliem os efeitos dessa política nas últimas semanas.

3. Cuidado infantil

A falta de uma rede adequada de creches é um dos motivos apontados por todos os especialistas para explicar a situação de falta de trabalhadores.

“A necessidade de fazer distanciamento físico interrompeu completamente as rotinas e estruturas, fechando escolas e creches. Isso limitou as opções de creches”, disse Kent Mahoney, vice-presidente executivo da empresa de análise e consultoria Proxima.

Muitas mulheres deixaram o mercado de trabalho e não foram reintegradas. Em junho, a participação delas na força de trabalho chegava a 56,2%, bem abaixo dos 60% que tinham nas últimas duas décadas.

Ao contrário de outros países desenvolvidos, os Estados Unidos não têm um sistema de creche com amplos subsídios fiscais. Espera-se que quando o ano letivo começar, no final de agosto ou início de setembro, mais mulheres retornem aos empregos, desde que a variante Delta não mude muito a situação de saúde atual.

4. Medo de contágio

A preocupação com novas infecções em setores onde os funcionários estão mais expostos, como restaurantes, hotéis e outros serviços relacionados ao turismo e entretenimento, faz com que muitos não queiram retornar aos seus antigos empregos.

As coisas ficaram ainda mais complicadas agora que a variante Delta está se expandindo pelo país e houve mais infecções em crianças do que nos meses anteriores. Muitos funcionários que sentem que não receberam as medidas de proteção necessárias durante as primeiras ondas da pandemia não querem retornar aos seus antigos empregos.

Ao mesmo tempo, se o salário e as condições de trabalho não são atraentes o suficiente, há pessoas desempregadas que preferem perder sua renda a se infectar.

5. Desejo de maior flexibilidade de trabalho

Os profissionais cuja presença física não é imprescindível para o tipo de trabalho que realizam expressam o desejo de maior flexibilidade no trabalho. Embora muitas das grandes empresas tivessem planejado retornar ao sistema de trabalho do escritório, as coisas não têm sido tão fáceis.

A pandemia mostrou a muitos funcionários de alguns setores que podiam fazer o seu trabalho de casa e, no momento de regressar, alguns preferem procurar outro trabalho que lhes dê maior flexibilidade. Ou seja, uma empresa que permite o teletrabalho ou o sistema híbrido de trabalho, onde os funcionários devem comparecer ao escritório apenas alguns dias da semana.

6. Boom de aposentadorias

A população em idade ativa diminuiu em 2019 pela primeira vez em décadas, depois caiu novamente no ano passado. As aposentadorias dos chamados baby boomers (nascidos após a Segunda Guerra Mundial) dobraram em 2020 em relação ao ano anterior, de acordo com uma análise do Pew Research Center.

Alguns decidiram se aposentar mais cedo do que o planejado porque haviam perdido o emprego e viam poucas perspectivas de conseguir um novo. Ou porque não queriam ser expostos ao vírus em condições de trabalho de alto risco. E um segmento menor decidiu se aposentar antes do planejado, aproveitando o bom desempenho dos investimentos em bolsa ou a venda de suas casas.

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