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Saúde Veja o que se sabe sobre a variante do coronavírus que emerge na Índia e começa a preocupar os cientistas

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Ao longo da última semana, Pelotas apresentou aumento de 24,1% de internações em leitos clínicos, entre suspeitos e confirmados. (Foto: Reprodução)

Com o colapso no sistema sanitário, com 22 mortes de pessoas sem oxigênio, falta de leitos, cemitérios sobrecarregados e recordes de casos e mortes pela covid-19, a Índia enfrenta uma segunda onda dramática da pandemia do coronavírus. Por trás dela, pode estar uma nova variante do vírus Sars-CoV-2, a B.1.617.

Identificada pela primeira vez em dezembro de 2020 no país, em fevereiro já era prevalente em 24% das amostras que passaram por sequenciamento genético. Segundo o site científico Outbreak.info, atualmente ela é a mais importante no país e corresponde a 29% dos casos. Sua presença ainda varia entre os Estados: no de Maharashtra, onde fica Mumbai, o centro financeiro e maior cidade do país, é responsável por 42% dos casos, enquanto ainda não chegou a outros.

O virologista Fernando Spilki, coordenador da Rede Corona-ômica, diz que a nova variante está mudando a situação do país:

“A Índia tem uma dificuldade inerente a locais onde a situação se agravou que é a desigualdade social, não dava para entender como não tinha explodido antes. Infelizmente, no contexto das variantes com maior transmissibilidade, e não havendo as medidas de controle adequadas, vemos no país o mesmo filme que no Brasil.”

De acordo com o virologista, a variante que emergiu por lá se destaca por duas mutações específicas: a E484Q e a L452R, em uma conjunção inédita.

O aminoácido 484 tem uma posição importante na proteína Spike, numa região chave porque é onde começa o processo de infecção da célula.

Na P.1, a variante que domina o Brasil e agravou a pandemia nos últimos meses, há a mutação E484K, bastante parecida. Essa alteração também está presente nas variantes da África do Sul e na que surgiu no Reino Unido.

Já a mutação L452R foi identificada em linhagens nos EUA que podem gerar preocupação. Ou seja, embora a B.1.617 seja uma variante ainda considerada “de investigação”, ela apresenta indícios que fazem crer que ela pode apresentar maior transmissibilidade.

“Os próximos dias serão de grandes emoções. O sistema de saúde indiano é ultrapressionado normalmente, por isso a gente teme pelo pior. Tomara que não seja o que estamos esperando, mas tudo indica alta transmissibilidade”, afirma Spilki.

Outro foco de preocupação é a importância da Índia na produção de insumos essenciais na pandemia. O país é o maior exportador de itens para diagnóstico, sequenciamento genético e vacina. Se a produção for afetada ou se a demanda interna crescer muito provocando pressão por esses insumos, explica Spilki, “o mundo vai passar dificuldade”.

Disseminação

A variante já foi detectada em 17 países de todos os continentes, incluindo Estados Unidos, regiões da Europa, Austrália e até África, mas ainda não na América do Sul.

O médico, neurocientista e professor catedrático da Universidade Duke (EUA) Miguel Nicolelis afirmou pelo Twitter que o Brasil precisa “fechar imediatamente o seu espaço aéreo para voos vindos da Índia”.

Segundo ele, duas empresas mantêm voos regulares entre os dois países: “Estamos correndo o risco de importar mais uma variante do exterior. E uma variante que parece ser mais infectante.”

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