Quarta-feira, 01 de abril de 2026
Por Redação O Sul | 26 de março de 2026
A endometriose é uma doença subdiagnosticada no Brasil: milhões de mulheres podem levar de sete a dez anos para descobrirem a condição por conta dos sintomas serem confundidos com cólicas menstruais intensas ou outros desconfortos ginecológicos. Com objetivo de chamar atenção para o problema e conscientizar a população sobre a doença, organizações médicas e associações de pacientes criaram a campanha Março Amarelo, voltada a discutir e divulgar os sintomas, causas e tratamentos da endometriose, doença que atinge cerca de 7 milhões de brasileiras e 10% das mulheres em idade reprodutiva em todo o mundo.
“A conscientização é essencial para que mais mulheres reconheçam os sinais da endometriose e procurem ajuda. Com diagnóstico e tratamento adequados, é possível controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida”, orienta a ginecologista Caroline Alonso.
A endometriose é uma doença ginecológica inflamatória crônica caracterizada pelo crescimento de tecido semelhante ao endométrio, que normalmente reveste o interior do útero, fora da cavidade uterina. Esse tecido pode se desenvolver em órgãos como ovários, trompas, intestino e outras regiões da pelve, provocando inflamação, dor e, em alguns casos, acomete os ligamentos e a vesícula.
“Trata-se de uma doença benigna, ou seja, não é maligna como o câncer. Mas, em alguns casos raros e complexos, a endometriose pode ser encontrada no diafragma, pulmão ou cérebro”, explica o ginecologista Thiers Soares, especialista na doença.
Pacientes que possuem endometriose podem apresentar dificuldade para engravidar — a doença é responsável por 30% dos casos de infertilidade.
“Não podemos afirmar que quem tem endometriose é infértil, mas grande parte das pacientes que têm infertilidade podem ter endometriose. A doença é uma das maiores causas de infertilidade hoje no mundo. Pacientes que têm o quadro podem apresentar uma dificuldade maior para engravidar quando a endometriose afeta o ovário, o intestino, a bexiga, ou quando distorce a anatomia da pelve, por exemplo” explica o cirurgião geral e ginecologista Thiago Borges.
O estudo “Prevalência da endometriose em adolescentes brasileiras (2014 a 2024)”, publicado na Revista Brasileira de Implantologia e Ciências da Saúde, estima que cerca de sete milhões de brasileiras convivem com a doença atualmente. A pesquisa analisou dados do sistema DATASUS e identificou 137 mil registros de internações relacionadas à endometriose no país entre 2014 e 2024, com maior concentração de casos nas regiões Sudeste e Nordeste.
Os 5 sintomas mais comuns
Estudos apontam que apenas 10% das pacientes são assintomáticas. Entre os sintomas da doença, os cinco principais são:
– Cólica menstrual intensa (dismenorreia);
– Dor durante as relações sexuais;
– Dor ao urinar;
– Dor ao evacuar;
– Dificuldade para engravidar.
“Uma cólica toda mulher pode sentir. Agora, uma cólica que faça ela desmaiar, faltar ao trabalho, que seja insuportável e a incapacite de realizar as atividades do seu cotidiano, não é normal, temos que investigar”, alerta Thiago Borges.
Segundo o ginecologista, o diagnóstico começa ao ouvir a paciente em uma consulta bem realizada. Em seguida, existem dois exames que podem confirmar a presença da doença: a ressonância magnética de abdômen e pélvico e a ultrassom transvaginal com preparo intestinal para pesquisa de endometriose.
Por que a endometriose ocorre? A origem da doença ainda não é totalmente compreendida. Pesquisas apontam que pode envolver fatores hormonais, genéticos, imunológicos e ambientais. Uma das hipóteses mais conhecidas é a menstruação retrógrada, quando parte do tecido menstrual retorna pelas trompas e se deposita na cavidade pélvica, onde pode se implantar e crescer.
“A endometriose é uma doença que tem grande relação familiar, a genética da pessoa também influencia no desenvolvimento da doença. Por exemplo, se uma mãe ou irmã tem endometriose, há grandes chances da irmã mais nova também ter a doença. Mas, além disso, fatores externos também influenciam, como a alimentação: se a pessoa se alimenta mal, pode agravar”, pontua Thiers Soares.
Para Borges, fatores de estilo de vida, como dieta e atividade física, são fundamentais. “A endometriose é uma doença muito inflamatória, e a coisa mais inflamatória do nosso dia a dia hoje é a nossa alimentação. Uma das principais recomendações é mudar a alimentação e praticar atividade física, que é um grande modulador inflamatório”, explica. As informações são do jornal O Globo.
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