Quinta-feira, 29 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 28 de outubro de 2026
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado na disputa pela Presidência da República, é alvo de investigações que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF). Os casos envolvem suspeitas de irregularidades no financiamento de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, chamado “Dark Horse”, e de lavagem de dinheiro em negócios relacionados a casas de apostas cujo dono é Willer Tomaz, advogado e amigo de Flávio.
O senador fugiu do Brasil e pousou em Miami, nos EUA, nessa quarta-feira (28). Em uma operação secreta, Flávio, que descumpriu ordem do STF para entregar seus passaportes, viajou aos EUA após entrar por terra na Argentina, embarcar em um avião particular, contornar o espaço aéreo brasileiro e fazer escala no Equador, de acordo com as fontes.
Saiba mais sobre as investigações.
“Dark Horse”
Em uma das apurações, sob relatoria do ministro André Mendonça, Flávio é investigado pela possível prática de crimes relacionados ao financiamento da produção do filme “Dark Horse”, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. A investigação mira repasses de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, à produção.
Willer Tomaz e bets
Outra investigação que tramita no STF, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, apura se o senador cometeu o crime de lavagem de dinheiro usando uma casa de apostas.
A Polícia Federal (PF) quebrou o sigilo telemático do advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio, e encontrou e-mails que apontavam que o senador foi cadastrado como “usuário master” de uma conta bancária da empresa Alcazar Holdings, de propriedade de Tomaz.
A PF afirma no seu relatório que há “elementos indicativos de vínculo de controle ou propriedade de fato de Willer Tomaz sobre a Rede Loto”, a primeira a obter autorização estadual da Loterj, no Rio de Janeiro, para explorar apostas esportivas de cota fixa no estado.
Casos podem permanecer no STF
O mandato de Flávio como senador termina em 2027 e, com a derrota nas urnas, ele deixará de exercer um cargo público e, por isso, não terá mais foro privilegiado em razão do mandato de senador.
O chamado foro privilegiado, tecnicamente denominado foro por prerrogativa de função, é a regra que determina que determinadas autoridades sejam investigadas e julgadas criminalmente por tribunais específicos em razão dos cargos que ocupam. No caso de senadores, crimes ligados ao exercício do mandato são analisados pelo STF.
Mesmo assim, as investigações das quais é alvo podem permanecer no STF. Isso porque, em 2025, o tribunal decidiu que, quando o crime investigado tiver sido praticado durante o exercício do cargo e estiver relacionado às funções desempenhadas pela autoridade, o foro é mantido mesmo após o fim do mandato.
Advogados criminalistas ouvidos pelo g1 avaliam que ambos os casos devem permanecer no STF, porque Flavio supostamente usou o seu “prestígio” como senador para conseguir as vantagens.
Flávio também responde a um inquérito no STF por crime de calúnia contra Lula. Na postagem, publicada no X (antigo Twitter), em 3 de janeiro de 2026, Flávio atribui ao presidente reeleito crimes como os de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Em julho, a PF cancelou o depoimento do senador sobre o caso após defesa apresentar esclarecimentos. As informações são do portal de notícias G1.
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