Terça-feira, 13 de Abril de 2021

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Mundo Venezuelanos votam sob ameaça de fraude para evitar vitória de chavistas

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Militares fazem cerimônia antes de distribuírem material para a realização das eleições na Venezuela. (Foto: Reprodução)

Os venezuelanos voltam às urnas neste domingo (15) para escolher 23 governadores estaduais. Atualmente, o mapa do país tem 20 governistas e só 3 da oposição. Segundo as pesquisas mais recentes, os candidatos oposicionistas têm chances de vencer em 15 ou 18 Estados.

Isso se não houver manipulação do resultado, como na escolha dos membros da Assembleia Nacional Constituinte, em 30 de julho, quando o governo anunciou que 8 milhões de pessoas haviam comparecido às urnas.

Quatro dias depois, porém, a agência de notícias Reuters revelou documentos do CNE (Conselho Nacional Eleitoral) que estimavam uma participação de, no máximo, 4 milhões de votantes – a informação nunca foi contestada pelas autoridades.

A eleição regional ocorre mais de um ano depois do previsto no calendário legal, e num ambiente em que a oposição está dividida, e o governo, tomando atitudes autoritárias de última hora.

A primeira foi não permitir que a votação seja acompanhada por observadores internacionais independentes. A segunda, anunciada apenas 72 horas antes da abertura das urnas, foi a de mudar de seção eleitoral mais de 700 mil pessoas. O governo alega questões de segurança.

“Nos concentramos em tirar a eleição de seções onde houve violência extrema na última votação”, disse Socorro Hernández, uma das quatro reitoras do CNE aliadas de Nicolás Maduro – o órgão só tem um membro independente.

Reunidos no fim da tarde da última sexta-feira (13), líderes da oposição manifestaram sua discordância em relação à medida. “Os Estados mais afetados são aqueles em que a oposição é mais forte. É uma medida para confundir e desestimular os eleitores”, declarou o governador de Miranda e ex-candidato a presidente Henrique Capriles.

Já Julio Borges, presidente da Assembleia Nacional, de maioria oposicionista e eleita em dezembro de 2015, afirmou que “as medidas são uma demonstração de que o governo sabe que não ganhará se as eleições forem limpas”.

Borges e Capriles, assim como o vice-presidente do Legislativo, Freddy Guevara, e o ex-prefeito de Chacao Leopoldo López, até o momento em prisão domiciliar, são favoráveis a que as pessoas votem, mesmo que desestimuladas pela possibilidade de fraude ou pelas dificuldades logísticas causadas pela mudança das seções.

“Muita gente pensa que não votar é ser forte e radical contra Maduro, mas isso é o que o governo quer. Cada abstenção será um voto a favor do governo”, afirmou Borges. Do lado dos que defendem a abstenção está a ex-deputada María Corina Machado, líder do partido Venha Venezuela. “Este CNE não tem autoridade para organizar nenhuma eleição, e estamos em uma ditadura. Se votamos, estamos participando desse jogo.”

Outra atitude do governo que gerou polêmica dentro e fora da Venezuela foi a declaração de Diosdado Cabello, homem forte de Maduro, de que os novos governadores terão de prestar juramento à Assembleia Constituinte.

“Isso demonstra que o governo pretende repetir o que fez com a Assembleia Nacional de 2015, em que a oposição era maioria. Decidiram criar a Assembleia Nacional Constituinte e esvaziar o poder do Parlamento original”, disse o cientista político Oscar Arnal.

“Pedir que os governadores se submetam à ANC é esvaziar sua autoridade. Mostra que o governo calcula que pode perder essa eleição e já tem um modo de controlar os governadores oposicionistas que sejam eleitos.”

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