Quinta-feira, 30 de julho de 2026
Por Redação O Sul | 27 de julho de 2026
O governador de Buenos Aires, na Argentina, Axel Kicillof, criticou o discurso que o presidente argentino, Javier Milei, fez durante a convenção do PL em São Paulo no fim de semana. Kicillof chamou de “vergonha alheia” as falas de Milei, que criticou o governo brasileiro e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
No discurso, o presidente argentino chamou Moraes, que impediu que Milei visitasse o ex-presidente Jair Bolsonaro, de “lixo careca”, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de “presidiário”. As falas fizeram o Itamaraty convocar o embaixador em Buenos Aires, em ato de protesto.
“Assistimos com constrangimento ao presidente Milei ofender e insultar o governo brasileiro, seu presidente e toda uma nação. Da província de Buenos Aires, reafirmamos que a Argentina respeita as nações irmãs e está comprometida com a integração regional”, escreveu Kicillof em suas redes sociais.
O governador portenho — um dos principais opositores políticos de Milei e ex-ministro da Economia durante o governo da ex-presidente Cristina Kirchner — disse ainda que ligou para o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira. Kicillof afirmou ter transmitido ao chanceler brasileiro que “Milei não representa o sentimento do povo argentino”.
“O Brasil é o nosso principal parceiro comercial. Com essas provocações, Milei coloca em risco investimentos, exportações, milhares de empregos e os interesses da Argentina — tudo isso para apoiar um candidato a mando de Trump. A relação com o Brasil exige responsabilidade, não provocação”, escreveu ele.
A visita de Javier Milei ao Brasil no sábado (25) causou uma crise diplomática entre os dois maiores países da América do Sul.
Milei foi um dos convidados que discursaram na convenção do Partido Liberal (PL), que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, em São Paulo.
Em um discurso inflamado, o presidente argentino fez críticas ao socialismo, valorizou a chamada “onda azul” na América do Sul e chamou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, de “lixo careca” após ter negada uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Milei também associou a candidatura de Flávio ao que chamou de uma transformação política em curso na América Latina e chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de “presidiário”.
Em resposta, o governo brasileiro decidiu chamar o embaixador do Brasil, Julio Bitelli, para consultas em Brasília.
Além disso, o Itamaraty também convocou o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, para “transmitir a repulsa” do governo brasileiro e cobrar explicações sobre a atuação de Milei em território nacional.
Convocar o embaixador de outro país para uma conversa, por outro lado, é uma demonstração de insatisfação e de busca por explicações da outra nação.
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