Terça-feira, 26 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 25 de maio de 2015
A residência de verão do imperador D. Pedro I, em Petrópolis (RJ), os sítios arqueológicos na Grécia, a coleção de fósseis de dinossauros no Museu Nacional de História Natural Smithsonian, nos Estados Unidos. Separados por milhares de quilômetros, diversos centros de conhecimento são, hoje, parte de um fenômeno tecnológico.
Acervos históricos em todo o mundo vêm abandonando sua imagem solene para apresentar seu conteúdo em novos formatos – muitas vezes, até remotamente – a um público conectado. Diante das novidades, que incluem visitas virtuais, maior presença em redes sociais e projetos para dispositivos móveis, como o europeu Chess (“Experiências de herança cultural por interações pessoais”, na sigla em inglês), especialistas que participaram do 3 Festival de História, que aconteceu em Portugal, acreditam que a tecnologia pode ajudar a disseminar as reservas de informação sobre quem somos e de onde viemos.
A interatividade digital, porém, vem com algumas ressalvas – seus críticos alertam que despejar informações demais e sem qualquer ordem pode desvalorizar o conteúdo, tornando-o cada vez mais sujeito a confusões.
Para a professora de História do Brasil Heloísa Starling, a tecnologia vem mudando o modo de se contar a História, retirando a necessidade de os fatos serem apresentados cronologicamente, o que se reflete nos museus.
Mas a tecnologia aplicada no interior desses espaços também serve para levar a sua experiência para fora deles: nos últimos anos, dezenas dessas instituições em todo mundo vêm digitalizando seus acervos e os disponibilizando on-line, para que os usuários visualizem do conforto do seu lar, a milhares de quilômetros de distância.
Em seu site, por exemplo, o Museu do Louvre, em Paris (França), tido como o maior do mundo, oferece ao seu visitante tours virtuais a exposições de antiguidades egípcias e dos restos históricos da fortaleza que antecedeu a criação do museu. Iniciativa semelhante é feita pelo Museu Nacional de História Natural Smithsonian, que permite ao usuário realizar um passeio virtual pelos seus corredores, acompanhando a evolução dos dinossauros por meio dos fósseis em seu acervo.
Brasil segue tendência mundial.
E o fenômeno já chegou por aqui. De acordo com o Instituto Brasileiro de Museus, cerca de 106 instituições em seu cadastro nacional são classificadas como oferecendo visitas virtuais. Em 2010, o Museu Imperial, no Rio, deu início à digitalização dos mais de 300 mil itens do seu acervo, que incluem documentos, itens bibliográficos (livros e periódicos) e objetos que ajudam a contar o passado do Brasil e a trajetória da família real portuguesa no País.
Em 2011, a prática da digitalização do acervo de museus ganhou um reforço de peso quando o Google lançou o seu Culture Institute, uma organização não-lucrativa da gigante da internet cujo objetivo é pôr on-line “a herança cultural do mundo” por meio da digitalização de acervos e da criação de novas tecnologias com esse objetivo. (AG)
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