Segunda-feira, 02 de março de 2026
Por Redação O Sul | 1 de março de 2026
Se você já está afastando o celular para conseguir ler mensagens, talvez os 40 anos tenham chegado. E, com eles, a chamada vista cansada, conhecida clinicamente como presbiopia. A dificuldade para enxergar de perto é um dos sinais mais comuns do envelhecimento natural dos olhos e, segundo a Academia Americana de Oftalmologia, esse problema já atinge cerca de um quarto da população mundial, tornando-se uma das condições visuais mais frequentes da vida adulta.
Os olhos funcionam de maneira muito semelhante a uma câmera fotográfica: dentro deles existe uma lente natural (o cristalino) responsável por ajustar o foco e permitir que vejamos objetos tanto de longe quanto de perto. Com o passar do tempo, essa lente vai perdendo flexibilidade, tornando-se mais rígida, enquanto o músculo responsável por esse ajuste precisa se esforçar cada vez mais para compensar essa perda de elasticidade.
O resultado desse processo natural é o cansaço visual, dores de cabeça, dificuldade de foco e aquela cena comum do dia a dia: a pessoa estica o braço para longe do rosto tentando enxergar melhor textos, embalagens, cardápios, mensagens no celular ou rótulos de medicamentos. Para muitos, isso marca o início do uso dos óculos de leitura como companheiros permanentes.
Mas um novo colírio aprovado nos Estados Unidos promete facilitar a vida de quem já depende dos óculos para enxergar de perto. O medicamento atua ao contrair a pupila, o que melhora a nitidez da visão próxima e pode, em alguns casos, substituir temporariamente os óculos de leitura, oferecendo uma alternativa prática para tarefas do cotidiano.
O colírio é utilizado uma vez ao dia e promete melhorar o foco por até dez horas, podendo reduzir de forma significativa a necessidade do uso constante de óculos para leitura, especialmente em atividades rápidas como olhar o celular, ler placas, rótulos e pequenos textos.
O novo colírio age ao contrair a pupila, mecanismo que aumenta a profundidade de foco e melhora a nitidez da visão de perto. O CEO da empresa responsável pelo produto, Eef Schimmelpennink, explicou:
“Este produto é baseado em uma molécula chamada ciclidina, que tem sido usada por 40, 50 anos para tratar glaucoma. Então, uma outra doença ocular. Como efeito colateral, eles sempre percebiam que ela diminuía a pupila, e, com isso, as pessoas diziam que a visão de perto melhorava.”
Ou seja, a tecnologia por trás do colírio não é totalmente nova: ela se apoia em uma substância já conhecida e utilizada há décadas na oftalmologia, agora reaproveitada com uma nova finalidade terapêutica.
Para o oftalmologista David Granet, restaurar a visão de perto vai muito além da função visual e tem impacto direto no bem-estar emocional e psicológico dos pacientes:
“Mas a perda da função visual em si – isso ninguém encara de forma positiva, ninguém gosta. Restaurar essa função é um presente, algo que faz a pessoa se sentir melhor consigo mesma”.
Por enquanto, o colírio está disponível somente nos Estados Unidos. A caixa, com doses para 25 dias de uso, custa cerca de R$ 420 (valor aproximado, sujeito a variações). A venda do medicamento é feita exclusivamente com prescrição médica, reforçando que o uso deve ser acompanhado por um oftalmologista, tanto para avaliação da indicação correta quanto para o monitoramento de possíveis efeitos colaterais.
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