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Mundo “Vorcaro do Paraguai”: Quem é o dono do ueno bank, que quebrou e gerou uma crise no país?

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Federico Miguel Vázquez Villasanti, fundador e principal acionista do Ueno Bank. (Foto: Ueno Bank/Reprodução)

Entre os oito presos após o colapso do banco digital paraguaio ueno bank está Federico Miguel Vázquez Villasanti. O empresário de 36 anos é presidente do Grupo Vásquez, controlador da instituição financeira com quase 3 milhões de clientes e detentora de depósitos de mais de 40% da população do Paraguai.

A quebra do banco gerou uma grave crise no país e levou às renúncias do presidente do Banco Central do Paraguai (BCP), Carlos Carvallo, na terça-feira (3), e do presidente do país, Santiago Peña, dois dias depois. Carvallo foi presidente do banco digital antes de assumir o BCP e Peña foi investidor da ueno holding até março de 2025, quando vendeu sua participação.

As investigações do Ministério Público (MP) paraguaio apontaram uma série de possíveis crimes financeiros, além de uma intrincada conexão com o poder público. Essas revelações guardam semelhanças com o caso do Banco Master. A instituição financeira brasileira foi liquidada pelo Banco Central em novembro do ano passado por fraudes financeiras bilionárias. Seu dono, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, está preso preventivamente, assim como outras pessoas relacionadas ao caso.

Uma das irregularidades levantadas pelo MP paraguaio é que o ueno recebia grandes volumes de recursos públicos e de fundos de pensão estatais. O Master também é investigado por prováveis prejuízos causados a institutos de previdência de servidores públicos, além de ter vendido carteiras fraudulentas ao Banco de Brasília (BRB), que hoje vive uma séria crise de liquidez. A série de coincidências já faz Villasanti ser chamado de “Vorcaro do Paraguai”.

Em relação ao ueno, o banco digital também estaria concedendo empréstimos a empresas pertencentes aos seus próprios acionistas, além de enfrentar questionamentos sobre financiamentos cruzados.

A origem do Grupo Vásquez remonta a 1945, quando Miguel Jacobo Villasanti, avô do atual CEO, fundou uma oficina mecânica em Assunção. Em seu site, o conglomerado afirma que “surgiu há mais de 75 anos a partir de dois legados familiares: os Villasanti, fundadores da Cóndor SACI, representante da Mercedes-Benz no Paraguai; e os Vázquez, que criaram a Credicentro”. Esta última é a empresa de crédito que deu origem ao ueno bank, cuja licença para operar oficialmente como banco foi concedida pelo banco central em dezembro de 2023.

“Miguel Vázquez Villasanti aproveitou os aprendizados e as bases desse legado e, duas décadas depois, lidera um grupo que combina tradição familiar com uma visão de nível mundial”, diz o site do Grupo Vásquez, sobre seu presidente, que também acumulava o cargo de vice-presidente do banco digital. O CEO do ueno, Juan Manuel Gustale Cardoni, também está entre os presos com a quebra do banco.

O Grupo Vásquez se define como “um dos conglomerados empresariais mais dinâmicos do Paraguai”, com mais de 20 empresas em setores que vão desde serviços financeiros e tecnológicos até mobilidade, entretenimento e esporte. “Com mais de 5.500 colaboradores diretos, nosso Grupo combina raízes locais com padrões de nível mundial”, diz a empresa.

Conforme seu perfil no LinkedIn, Villasanti estou Marketin em 2014 na Universidade de Miami (EUA). No mesmo ano, cursou um Programa de Alta Direção (PAD) no IAE Business School, em Buenos Aires, na Argentina, e especialização em Finanças na instituição INCAE Business School, que tem unidades na Costa Rita e na Nicarágua.

Presidente do Grupo Vásquez desde 2014, Villasanti foi CEO do antigo Credicentro entre fevereiro de 2008 e abril de 2021. Era vice-presidente do ueno bank desde maio de 2021. (Com informações do jornal Valor)

tags: Mundo

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