Sexta-feira, 09 de outubro de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Política Voto do ministro Luiz Fux no julgamento de Bolsonaro é a principal incógnita para colegas do Supremo

Compartilhe esta notícia:

Integrantes do STF não creem em um pedido de vista por parte de Fux.

Foto: Felipe Sampaio/SCO/STF
Julgamento sobre a trama golpista será retomado nesta quarta (10) com o voto do ministro Luiz Fux. (Foto: Felipe Sampaio/SCO/STF)

O voto do ministro Luiz Fux é apontado pelos seus colegas no Supremo Tribunal Federal (STF) como a grande incógnita do julgamento que começa nesta terça-feira (2) envolvendo Jair Bolsonaro e aliados acusados de tentativa de golpe.

A avaliação feita por quatro magistrados, sendo dois da Primeira Turma — colegiado que analisa a trama golpista — é que o voto de Fux tende a ser o mais “destoante”, mas há dúvidas entre os colegas se o ministro chegará a absolver Jair Bolsonaro de algum dos crimes dos quais ele é acusado ou se a divergência será no âmbito do tamanho das penas.

O ex-presidente foi acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de cometer cinco crimes, sendo eles liderança de organização criminosa armada, dano qualificado pela violência e grave ameaça, deterioração de patrimônio tombado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado. Se condenado, Bolsonaro pode receber uma pena de mais de 40 anos de prisão.

Um levantamento mostrou que houve divergência em apenas 5% dos julgamentos em que o ministro Alexandre de Moraes era o relator. A maior parte das divergências foi protagonizada por Fux, que mostrou uma mudança de comportamento desde o recebimento da denúncia da trama golpista. A partir de março, o magistrado passou a fazer ressalvas aos votos de Moraes e, com isso, o placar de 4×1 tornou-se mais comum.

Integrantes do STF não creem em um pedido de vista por parte de Fux. Há cerca de dez dias, o ministro falou com colegas sobre o cronograma dos votos na Primeira Turma e sinalizou que não pretende paralisar o julgamento, segundo relatos dos magistrados.

Se Fux e mais um membro da Primeira Turma absolver Bolsonaro de algum dos crimes dos quais ele é acusado, caberão os chamados embargos infringentes, recurso que permite rediscutir julgamentos não unânimes desfavoráveis ao réu. Com isso, o caso pode ser levado para análise do plenário formado pelos 11 ministros do STF. O recurso, porém, não tem o poder de reabrir todo o processo, mas apenas a parte da condenação que está sendo questionada.

Julgamento

O Supremo Tribunal Federal (STF) julgará pela primeira vez na História, a partir desta terça-feira (2), acusados por uma tentativa de golpe de Estado, em uma análise jurídica que terá também efeitos na campanha presidencial.

Ao liderar uma tentativa de ruptura democrática, segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), o ex-presidente Jair Bolsonaro virou réu, junto com sete aliados, e viu crescer ao seu redor um movimento para que aponte o quanto antes o nome da direita que poderá enfrentar nas urnas em 2026 o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que diz ser candidato à reeleição.

Enquanto tenta manter a influência sobre os rumos do seu campo político, o ex-mandatário atua na via processual apostando em uma divergência na Primeira Turma da Corte que possa reduzir a pena de prisão, caso condenado, e tentando minar a delação premiada do seu ex-ajudante de ordens, o tenente-coronel Mauro Cid, usada como prova relevante da investigação.

O ponto central a ser debatido pela Primeira Turma do STF, composta pelos ministros Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Cristiano Zanin, Flávio Dino e Luiz Fux, é o plano golpista. De acordo com a PGR, foi arquitetado um complô para reverter o resultado da eleição, contrariando a Constituição, para manter Bolsonaro no poder.

A investida só não teria ido adiante, mesmo com apoio de alguns militares, porque os então comandantes do Exército, Freire Gomes, e da Aeronáutica, Baptista Júnior, rejeitaram colocar as tropas à disposição do ex-presidente. O processo também representa um marco para a caserna, porque pode levar pela primeira vez à prisão de integrantes das Forças Armadas por atentado à democracia.

Além de Bolsonaro, serão julgados os ex-ministros Braga Netto, Augusto Heleno, Anderson Torres e Paulo Sérgio Nogueira; o ex-comandante da Marinha Almir Garnier; o deputado federal Alexandre Ramagem, ex-chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin); e o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência e delator da trama golpista.

A ofensiva golpista que culminou nos atos de 8 de janeiro se tornou tema frequente no embate entre governo e oposição — e deve se intensificar nos próximos dias. Nos discursos do presidente Lula, que tem feito críticas ao seu antecessor e vem insistindo em colocar no ringue eleitoral o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), aposta do Centrão para concorrer ao Palácio do Planalto em 2026.

Para evitar que o julgamento vire alvo de disputas políticas e se prolongue até o ano eleitoral, o STF se organizou para concluir as sessões em até duas semanas. Entre a apresentação da acusação pela PGR, em fevereiro, e o início do julgamento na Corte, 196 dias terão se passado. É um intervalo 11 vezes mais rápido do que o do processo mais célebre do STF, o do mensalão, que tinha 38 réus.

Em um esforço para evitar pedidos de vista, o que poderia empurrar o desfecho do caso para 2026, o gabinete do ministro Alexandre de Moraes, relator da ação da trama golpista, enviou aos demais integrantes da Primeira Turma um link com documentos, vídeos e áudios que compõem as provas do processo. (Com informações do blog da Bela Megale, do jornal O Globo)

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Política

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Aliados de Bolsonaro nos Estados Unidos esperam mais sanções com impulso para anistia
Maduro diz que navios dos Estados Unidos apontam 1.200 mísseis para a Venezuela
Pode te interessar