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A luz do computador e do celular pode atrapalhar seu sono; saiba como se proteger

Cansaço, problemas de memória e propensão a problemas cardíacos estão entre os possíveis transtornos. (Foto: Reprodução)

Trabalhar por horas diante do computador cobra seu preço na hora de dormir.

Esses equipamentos emitem um espectro de luz azul que inibe a liberação de melatonina, hormônio importante na indução do sono”, diz o especialista em medicina do sono Fernando Morgadinho Santos Coelho, da Academia Brasileira de Neurologia.

Ele afirma que é preciso fazer intervalos. Podem ser paradas rápidas, de 30 segundos a cada 10 minutos, ou mais de 5 a 10 minutos a cada hora.

Também é importante desligar os aparelhos eletrônicos duas horas antes de dormir.

O médico recomenda o uso de filtro de luz azul, que pode ser baixado via Windows ou nas lojas da Google e da Apple. Há também óculos que reduzem o cansaço visual e custam a partir de R$ 30.

Vale ainda manter a tela do telefone celular em modo noturno, que atenua a luz.

Problema global

Uma pesquisa realizada em 2013 pela Fundação Nacional do Sono dos EUA com 1.500 adultos selecionados no país, no Canadá, no México, no Reino Unido, na Alemanha e no Japão indica que mais da metade dos americanos, canadenses e ingleses, e pelo menos dois terços dos japoneses, usam algum tipo de dispositivo eletrônico ao menos uma hora antes de ir para a cama.

Não à toa, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC, na sigla em inglês) classifica a insuficiência de sono como uma epidemia de saúde pública desde 2011.

E o problema não é apenas comportamental. Conforme explica Rosa Hasan, neurologista da Associação Brasileira do Sono (ABS), smartphones, tablets e computadores têm um impacto fisiológico real em nosso organismo:

Ao manterem esses dispositivos perto da cama, as pessoas simplesmente não conseguem relaxar, por causa das notificações. Mas há um fator fisiológico também: a luz desses aparelhos inibe a produção de melatonina pelo nosso corpo, um hormônio que nos ajuda a regular o sono.”

Em paralelo a essa constatação, pesquisadores investigam há muito se a exposição prolongada à radiação emitida por celulares poderia aumentar as chances de câncer em usuários – algo que, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), ainda não foi cientificamente comprovado.

A designer Priscilla Moulin, de 23 anos, é outra que admite trocar diariamente horas de sono por visitas a sites e redes sociais, além de partidas em jogos eletrônicos. Como consequência, ela normalmente vai dormir 1h da manhã, tendo que estar de pé às 6h30m.

Sou uma pessoa muito agitada, e não gosto de chegar tarde em casa do trabalho e já ter que terminar o meu dia. Então, fico com essa sensação de que preciso aproveitar o tempo que me resta ao máximo, fazendo outras coisas que não dormindo”, afirma a designer, que diz já ter desistido de mudar o hábito. “Cheguei a procurar médicos, mas não adiantou.”

Consequências futuras

Neurologista do Instituto do Sono, em São Paulo, Luciano Ribeiro reconhece a dificuldade de conscientizar as pessoas, principalmente os mais jovens, sobre os problemas de uma rotina de sono de menos de seis horas por noite, já que muitos não sentem os problemas a curto prazo desse hábito. No entanto, ele alerta que as pessoas devem ter em mente as possíveis consequências futuras desse hábito:

Diversos estudos mostram que as pessoas que sofrem uma privação crônica de sono acabam sofrendo maior incidência de problemas cardiovasculares, envelhecimento precoce e doenças mentais. Em alguns casos, esses problemas começam a aparecer apenas dez anos depois do início dessa rotina de sono reduzido.”

Por isso, Ribeiro recomenda autocontrole na hora de ir para cama: aparelhos eletrônicos devem ficar desligados ou longe do quarto para evitar interrupções, as pessoas devem ter hora para dormir, e a temperatura do ambiente deve ser confortável. Ele ainda alerta que de nada adianta dormir pouco todos os dias e tentar tirar o atraso nos finais de semana.

A cama deve ser um espaço de descanso, sem que as pessoas levem trabalho ou aparelhos para ele, pois, se o fizerem, estarão sinalizando para o corpo que, ao deitar, ele não deve relaxar”, afirma o neurologista. “ Além disso, é importante ter um horário regular para deitar e levantar, aliado à prática de exercícios. Dormir mais no final de semana para compensar o tempo perdido nos outros dias não é jeito de combater a privação crônica do sono.”

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