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Após ser preso nos Estados Unidos, o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol José Maria Marin é banido do futebol e também foi multado em 3 milhões e 800 mil reais pela Fifa

Em agosto do ano passado, a Justiça dos Estados Unidos condenou Marin a 48 meses de prisão. (Foto: Tomaz Silva/ABr)

A Câmara Independente do Comitê de Ética da Fifa considerou José Maria Marin, 86 anos, ex-presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e ex-membro de vários comitês da Fifa, culpado de suborno em violação ao Código de Ética da entidade máxima do futebol.

A investigação sobre Marin diz respeito a vários esquemas de propinas, em particular durante o período de 2012 a 2015, em relação ao seu papel na concessão de contratos para empresas e direitos de marketing para competições da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol), Concacaf (Confederação da América do Norte e América Central) e CBF.

Em sua decisão, a Câmara Independente descobriu que Marin havia violado o art. 27 (Suborno) do Código de Ética da Fifa e, como resultado, baniu-o por toda a vida das atividades relacionadas ao futebol (administrativas, esportivas ou qualquer outra) em nível nacional e internacional. Além disso, aplicou uma multa no valor de 1 milhão de francos suíços (R$ 3,86 milhões).

Marin foi notificado da decisão nesta segunda-feira. Em agosto do ano passado, a Justiça dos Estados Unidos condenou Marin a 48 meses de prisão e a pagar multa de US$ 1,2 milhão (R$ 4,65 milhões) pelos crimes no Fifagate. Do período da pena, a estimativa é que ele cumpra somente 28 meses, com descontos por bom comportamento e abatimento por tempo de serviço.

Em meados de outubro, Marin foi transferido para uma penitenciária de segurança baixa em Allenwood, na Pensilvânia. No dia 20 de novembro do ano passado, o ex-presidente da CBF foi sentenciado a pagar sozinho US$ 137.532,60 (cerca de R$ 521 mil) e a dividir com outros condenados um total de US$ 2,14 milhões (R$ 8,1 milhões) pelos escândalos de corrupção.

Do valor que pagará sozinho, US$ 19.532,60 (R$ 74 mil) serão devolvidos à Fifa como restituição por salários e benefícios – a entidade queria US$ 97.663 (R$ 369 mil). A Conmebol receberá US$ 118 mil (R$ 447 mil), também por salários e benefícios. A entidade havia pedido US$ 590 mil (R$ 2,2 milhões) na ação.

O total é referente a salários e benefícios (como diárias e passagens) que foram pagos ao cartola de 2012 a 2015, quando ele ocupou cargos na Fifa e na Conmebol. Diferentemente das confederações internacionais, a CBF não se declarou vítima no processo, por isso não receberá nada do cartola.

Desde dezembro de 2017, quando foi condenado por receber propinas e lavar dinheiro no escândalo de corrupção da Fifa, ele estava detido no Metropolitan Detention Center, um presídio no Brooklyn, em Nova York. O local abriga 1.748 presos, segundo dados do centro prisional.

Marin foi preso em maio de 2015 na Suíça e extraditado em novembro do mesmo ano para os Estados Unidos. Ele assumiu a presidência da CBF em 2012, aos 79 anos, para cumprir o restante do mandato de Ricardo Teixeira, que renunciou.

Marin era o vice mais velho e, por isso, ficou com o posto, seguindo o estatuto da confederação. Antes de ser presidente da CBF, foi vereador, deputado estadual e governador de São Paulo.

As acusações no chamado Fifagate englobam ações de suborno, fraudes e de lavagem de dinheiro. Os cartolas teriam recebido pagamentos ilegais, que começaram em 1991 e atingiram duas gerações de dirigentes e executivos, que movimentaram mais de R$ 564 milhões.

Empresários do marketing esportivo como Alejandro Burzaco, da Torneos y Competencias, J. Hawilla, da Traffic, e Hugo Jinkis e Mariano Jinkis, pai e filho donos da Full Play, teriam subornado os cartolas com viagens de jatinho, banquetes em restaurantes badalados e suítes de hotéis cinco estrelas. O objetivo era obter vantagens na negociação de contratos para terem os direitos de transmissão de partidas da Copa do Mundo.

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