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Bolsas dos Estados Unidos caíram mais de 4% e tiveram a pior semana desde março

As Bolsas americanas reagiram em meio a desaceleração do crescimento global, tensões comerciais com a China e alta de juros. (Foto: Reprodução)

Os principais indicadores das Bolsas dos Estados Unidos caíram mais de 4% e tiveram a pior semana desde março, em meio a preocupação com uma desaceleração do crescimento global, um retorno das tensões comerciais entre EUA e China e dúvidas sobre o ritmo de alta de juros no país.

Nem o acordo da Opep (associação dos maiores exportadores de petróleo) para reduzir a produção de petróleo, firmado na sexta-feira, foi suficiente para interromper a sequência de perdas.

As Bolsas americanas reagiram de forma negativa aos dados de emprego dos EUA, anunciados também nesta sexta. A geração de vagas ficou abaixo do estimado por analistas, assim como a renda, elevando preocupações com uma possível desaceleração da economia do país.

O movimento mais uma vez brusco – os principais índices do país caíram mais de 2% no pregão – causou alguma surpresa entre investidores, que chegavam a projetar uma notícia positiva para Bolsas com esse resultado.

Os três principais índices do mercado americano terminaram a semana com queda acumulada superior a 4%. Foi o pior início de um mês de dezembro desde 2008.
“O resultado visto como fraco no mercado de trabalho não deveria ser ruim. Indica menos pressão para subir juros, dólar menos valorizado e mais atividade para a Bolsa”, diz José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Fator.

“Os analistas esperam a continuidade do desempenho forte [dos dados de trabalho]. Porém um resultado aquém do esperado poderia impactar positivamente os preços dos ativos de risco, em razão da expectativa de que o Fed poderá ser mais lento no ajuste dos juros em 2019. Logo, o pior para a economia, pelo menos por agora, é positivo para os mercados”, havia escrito a corretora Guide antes da abertura do mercado nesta sexta.

“São sempre os dois lados”, acrescenta Lima Gonçalves sobre a predominância da corrente que projeta desaceleração da economia para fundamentar a queda das Bolsas.

“É muito de psicologia de mercado, de quem sai na frente formando essa direção.”
Desde outubro, os principais mercados operam em uma direção mais negativa, apontando que a guerra comercial travada entre EUA e China poderá catalisar a desaceleração da economia mundial, que deve ocorrer de qualquer forma.

No início da semana, até houve um alívio nesse tema, após Donald Trump e Xi Jinping anunciarem uma trégua. Mas o acordo foi visto como frágil, e as Bolsas voltaram a cair.

Piorou o cenário a prisão da vice-presidente financeira da gigante de equipamentos de tecnologia Huawei, a chinesa Meng Wanzhou, no Canadá. Os EUA a acusam de fraude relacionada à violação de sanções contra o Irã e querem sua extradição.

Em relatório divulgado nesta semana, o banco UBS apontou que uma recessão econômica parece improvável considerados os atuais patamares de consumo, investimentos e o nível de emprego. O banco projeta expansão da economia global em 2018 em 3,8%, percentual que recuaria para 3,6% em 2019.

Nos EUA, um dos momentos de pânico da semana esteve na projeção de uma inversão da curva de juros. Quando as taxas de juro mais longas, de dez anos, se aproximam da remuneração de curto prazo, de dois anos, o mercado vê indício de recessão econômica. Na prática, isso ocorre porque o mercado vê menor crescimento econômico no futuro.

Nesse cenário de aversão a risco, a Bolsa brasileira tem resistido aos tropeços do exterior. O Ibovespa, principal índice acionário do país, recuou 0,82% e fechou a 88.115 pontos. O giro financeiro foi de R$ 13,8 bilhões. Na semana, a perda é de 1,55%.

Analistas consideram que, no país, o mercado ainda dá o benefício da dúvida ao governo em formação enquanto aguarda o anúncio das reformas consideradas necessárias para a recuperação da economia.

O dólar, porém, avança ante o real. Nesta sexta, a moeda americana fechou em alta de 0,41%, a R$ 3,8910. Na máxima durante o dia, a divisa voltou a superar os R$ 3,90, mas acabou cedendo.

“Junte uma época de saída de recursos [do país], juros baixos, situação de desconforto no exterior e há vários motivos para um dólar mais forte”, disse o operador de câmbio da corretora Spinelli José Carlos Amado.

No final do ano, empresas multinacionais com operação no Brasil costumam enviar lucros a suas matrizes no exterior, o que tradicionalmente faz o dólar subir.

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