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Caso Bernardo: Manhã do terceiro dia de julgamento inicia com bate-boca entre advogado e testemunha

Julgamento segue na tarde desta quarta-feira (13). (Foto: Reprodução/ Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul)

A terceira sessão do julgamento da morte de Bernardo Boldrini iniciou por volta das 9h desta quarta-feira (13). Três testemunhas foram ouvidas. A defesa de Leandro Boldrini desistiu de outras três.

O primeiro a depor foi Luiz Omar Gomes Pinto, que trabalhou com Leandro Boldrini em meados de 2008. Durante os questionamentos dos advogados, ocorreu um bate-boca, que motivou a suspensão da sessão. O advogado de defesa de Edelvânia Wirganovicz, Jean Severo, e a testemunha se desentenderam. Pinto reclamou do tom de voz de Severo e ele retrucou, dizendo que aquele era o “seu jeito”. O depoente ainda respondeu, fazendo o advogado rebater, acusando a testemunha de ser mentirosa. Neste momento, o advogado chegou a sugerir que os dois fossem resolver a questão fora da sala.

Os advogados de Boldrini tentaram demonstrar ao júri a boa relação entre pai e filho, além de revelar que Odilaine (mãe de Bernardo) teria tido uma relação extraconjugal e que Boldrini, ao descobrir, não reagiu com violência. Próximo às 10h, o promotor Bruno Bonamente indagou se a esposa dele, Elaine Raber Pinto, que trabalhou como babá na casa de Boldrini, sabia de maus-tratos do menino. Ele disse que ela temia sofrer represálias se falasse do assunto à época. Também afirmou que a companheira fez contato com a avó materna de Bernardo, mas ela teria dito que não se meteria no assunto e sugeriu que as autoridades fossem procuradas. Pinto disse que a mulher ficava transtornada ao encontrar o garoto na rua, que o menino parecia triste. Além disso, segundo o depoente, ela soube que o menino teria sofrido tentativa de sufocamento por parte da madrasta.

A segunda testemunha de defesa foi uma ex-professora do pai do menino. Maria Lúcia Cremonese iniciou dizendo que Boldrini foi criado por uma família rude, que não lhe dava carinho. A depoente declarou ter se oferecido a prestar depoimento a favor de Boldrini para explicar como ele era. Disse ter entendido que o objetivo do depoimento dela seria para reforçar a ideia de que Boldrini é “desatento”. Ela encerrou dizendo que nunca houve problema de agressividade de Boldrini com colegas.

Em seguida, a última testemunha do caso assumiu a palavra, o perito Luiz Gabriel Costa Passos, aposentado do Instituto de Criminalística do Paraná. O depoente era de extrema importância para os advogados de defesa de Boldrini, que querem mostrar que o receituário apreendido pela polícia, usado para comprar Midazolam (remédio que teria causado a morte de Bernardo), não foi assinado pelo médico. Questionado sobre a interpretação dele a respeito das assinaturas, Passos observou: “Constatei defeitos de traçado na assinatura. No centro da assinatura questionada, tem interrupção anormal do movimento da escrita, parada e retomada da caneta. Quando não existem, nos padrões, essa parada e retomada, revela indícios fortes de falsificação gráfica”. Para ele, a assinatura foi uma “imitação”.

O promotor Ederson Vieira questionou sobre a coleta de padrões gráficos de Boldrini. Contundente em seus questionamentos, deu a entender que as comparações teriam sido feitas com materiais gráficos que beneficiassem a tese da defesa. A forma de Vieira se posicionar resultou em bate-boca com o advogado Rodrigo Grecelle, defensor de Boldrini. Ele disse que o promotor estava desrespeitando a testemunha. Vieira rebateu: “Falta de respeito é vir do Paraná e desprestigiar os peritos do Rio Grande do Sul”.