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Cientistas descobrem semelhanças entre pedras nos rins e recifes de corais

Nova pesquisa poderá proporcionar a possibilidade de melhor diagnosticar e tratar os cálculos renais. (Foto: Reprodução)

As pedras nos rins, ou cálculos renais, que afetam mais de 10% da população mundial, são surpreendentemente dinâmicas e formam-se como microscópicos recifes de corais, segundo uma nova pesquisa que poderá proporcionar a possibilidade de melhor diagnosticar e tratar esta doença.

As descobertas, publicadas na revista “Scientific Reports”, desafiam os pressupostos de grande parte da medicina, segundo a qual as pedras renais são homogêneas e não solúveis. Ao contrário, elas se assemelham a recifes coralíferos em nanoescala ou a formações de calcário: complexas pedras estratificadas que se acumulam e dissolvem com o tempo.

“Quando os médicos encontram aquele calombo feio e incômodo e o descartam, estão jogando fora o mais precioso livro de registros que nós temos – uma história em camadas, minuto a minuto, da fisiologia dos rins”, disse Bruce Fouke, professor de Geologia e Microbiologia da Universidade de Ilinois, que chefiou o projeto.

“Quando quebramos as pedras renais cirurgicamente, algumas delas são realmente muito bonitas – como um geodo, como os anéis de uma árvore, ou algo que penduraríamos na parede”, explicou Brian Matlaga, urologista e cirurgião especialista em cálculos renais do hospital Johns Hopkins, em Maryland. “Por isso a pesquisa neste campo é tão interessante – e muito recente”.

Fouke, cujos projetos de pesquisa levaram ao Parque Nacional de Yellowstone e à Grande Barreira de Corais da Austrália, viu as primeiras conexões entre as pedras dos rins e os esqueletos de corais, o travertino das fontes termais e até mesmo a migração de petróleo e gás bem abaixo da superfície do planeta: interações entre coisas vivas, água e crescimento de minérios ocorrem em todos os três.

“A água que sai das fontes de Yellowstone é quente e salgada, como a água do mar e, inclusive, a urina”, disse. “Não se consegue separá-las ao microscópio”, explicou em relação aos intrincados depósitos de pedras que esses líquidos ajudam a formar.

Fouke e seus colegas pesquisadores examinaram mais de 50 fragmentos de pedras renais de seis pacientes usando vários microscópios de luz e eletrônicos. Eles identificaram matéria orgânica e cristais de cálcio com luz ultravioleta, que usa diferentes comprimentos de onda para fazer que minerais distintos brilhem.

Um método, chamado microscópio de super-resolução Airyscan, captou instantâneos coloridos de matéria orgânica e camadas de cristal nas pedras renais, “recortadas e truncadas” por rachaduras mais recentes, triângulos e outras formas geométricas. Os padrões desagregadores das pedras mostraram que a maior parte do material se dissolveu e voltou a se formar ao longo do tempo.

O estudo credita ao trabalho de alguns geólogos revolucionários ao longo dos séculos o fato de ter inspirado sua hipótese – principalmente o anatomista dinamarquês Nicolaus Steno, que em 1667 propôs que a pedra estratificada poderia revelar uma história cronológica dos acontecimentos (ele teria morrido de pedras nos rins).

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