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Deep web: os perigos do lado sombrio da internet 

Polícia busca métodos para rastrear criminosos. (Foto: Reprodução)
Por Anna Dalbem* com revisão de Juliano Castello

 

O termo “deep web” (web profunda) tornou-se uma definição geral para se referir a todo um conjunto de sites e servidores de internet. As páginas normalmente são mais simples que os da internet comum, mas explicar o termo, portanto, não é tão fácil. Ela não poder ser acessada como um site normal, digitando o endereço em um navegador comum. Isso é para garantir o anonimato do responsável pelo site e todos os visitantes.

Esse conceito foi criado em 2001 pelo pesquisador Michael Bergman para descrever qualquer conteúdo que não aparecia em mecanismos de pesquisa como o Google ou o Bing, da Microsoft. Isso porque, para chegar ao conteúdo “deep web”, é preciso acessar um site específico, como se fosse um intermediário.

As características desse submundo acabam atraindo pessoas interessadas em abrigar conteúdo questionável, macabro e ilegal, incluindo a pornografia infantil. Bancos de dados de agências espaciais, processos em tramitação em tribunais, dados de mapas, impostos e documentos em institutos de governo, entre outros conteúdos, estão na deep web, já que não são encontrados em uma simples busca.

Existe uma outra parte da “deep web” de conteúdo anônimo, conhecida também como “dark web” (“web escura”). Para acessá-la, existem programas próprios.

Como esses sites precisavam de ferramentas especiais para serem acessados, eles não apareciam em mecanismos de pesquisa e, assim, as duas definições não eram incompatíveis. No entanto, com o passar do tempo, parte desses sites de acesso exclusivo foi disponibilizada (via “pontes de acesso”) na web normal – que não necessita de software especial. Com isso, o conteúdo que antes era dessa web “inacessível” foi parar até mesmo no Google. Acessar esse conteúdo, portanto, é tão fácil quanto acessar qualquer outro site.

Que tipo de conteúdo há na deep web?

Como a “deep web” se refere a qualquer conteúdo fora dos mecanismos de pesquisa, a definição é bastante ampla. A parte de anonimato da “deep web” é atraente para ativistas políticos, hacktivistas e criminosos virtuais, além de pessoas que buscam compartilhar conteúdo censurado e ilegal.

A deep web também pode consistir de sites com conteúdo pessoal, páginas cujos donos decidiram não incluir em mecanismos de pesquisa por qualquer motivo, páginas que nunca receberam links de outros sites (porque só foram compartilhadas por e-mail, por exemplo) e também espaços para a troca de conteúdo ilícito.

Parte desse conteúdo obscuro passou a ser disponibilizado nessa rede após ações policiais derrubarem sites de abuso sexual infantil da web comum. Nessas páginas também se encontram lojas virtuais de mercadorias proibidas ou de difícil acesso, inclusive drogas (lícitas e ilícitas) e armas.

A “deep web” também abriga muito conteúdo pirata, incluindo livros, programas e vídeos.

Qual a diferença entre deep web e dark web?
Com base nas definições mais puras, um site da “deep web” não tem seu conteúdo disponibilizado em mecanismos de pesquisa e, portanto, não pode ser encontrado, exceto caso por quem conhece o endereço do site.

Sites que existem em redes anônimas e que necessitam de programas especiais para ter acesso, fazem parte da “dark web”. Há inúmeras páginas que existem exclusivamente na dark web e não podem ser acessadas sem o uso de programas como Tor, I2P e Freenet.

Quais são os riscos da deep web?

Como normalmente os sites da deep web são mais simples que os da internet comum, há um risco muito baixo de contaminação por vírus, softwares espiões e outras ameaças do tipo.

Mas, por outro lado, qualquer conteúdo existente na “deep web” deve ser encarado com desconfiança.

Imagens podem ter sofrido edição, programas podem estar contaminados com vírus e grande parte das informações é imprecisa ou totalmente inventada. É essa falta de sensibilidade sobre o conteúdo da rede que traz mais riscos, principalmente para adolescentes ou adultos não acostumados com este ambiente.

É possível rastrear ou monitorar a deep web?

Por conta das diversas camadas que existem entre o usuário e o site, rastrear os acessos é bastante difícil, já que as redes são desenvolvidas com a finalidade de evitar o rastreamento.

No entanto, o FBI já utilizou códigos semelhantes a vírus para se infiltrar nos computadores de visitantes de sites e colher informações para identificá-los. Em geral, autoridades tentam infiltrar agentes nesses meios para conseguir ganhar a confiança dos outros participantes.

O que é um site “chan”?

O fórum que supostamente possa ter sido usado pelos assassinos de Suzano é um de muitos sites existentes na internet (dentro e fora da deep web) inspirados em um site japonês conhecido como “2channel” (“canal 2”, de onde vem o “chan”).

Em resumo, os “chans” são fóruns de imagens cujo foco é compartilhar fotografias, desenhos ou memes e realizar comentários de qualquer natureza. Fundado em 2003, no Ocidente, esse tipo de site foi popularizado pelo “4chan”.

Normalmente, quem contribui com algum conteúdo nesses sites tende a ser identificado por um apelido. Ou seja, mesmo na internet normal, quem posta nesses sites tem alguma expectativa de anonimato, foi por isso que eles atraíram todo tipo de brincadeira duvidosa — os chamados “trolls” da internet. Boa parte do conteúdo nesses fóruns é erótico. Em alguns casos, o foco pode ser a violência.

É por isso que, mesmo em um dos “chans” brasileiros mais infames, poucos entenderam que os assassinos estavam anunciando o massacre que ocorreria em Suzano.

A popularidade desse site se deve à prisão e condenação do fundador da página, Marcelo Valle Silveira Mello. Após a prisão de Mello, o site foi assumido por outra pessoa e transferido para a rede “Tor”, a “deep web”. Ele foi preso pela Polícia Federal em 2012, solto em 2015 e novamente preso em 2018, por incitar violência contra mulheres, negros, homossexuais, e incentivando o abuso sexual de mulheres e menores.

Casos recentes envolvendo a deep web

Na Nova Zelândia e no Brasil, autores de atentados usaram sites do submundo da internet, mantendo perfis anônimos:

  • Massacre em Suzano

Essa zona de ódio e crime atraiu os assassinos do ataque na escola Professor Raul Brasil, em Suzano. O Ministério Público de São Paulo investiga se uma organização criminosa que atua na deep web pode estar envolvida no caso. Conforme o que já foi apurado, os jovens frequentavam o fórum Dogolachan há mais de um ano, e vinham tornando público os planos sobre o atentado. Lá, eles receberam informações de onde conseguir armamento e até dicas táticas de como cometer os assassinatos.

Após o atentado, a dupla passou a ser tratada como heróis pelos frequentadores do fórum. Alguns ainda disseram que planejam algo parecido. O fórum surgiu em 2013, e está ligado a Wellington Menezes de Oliveira, que matou 12 crianças no Massacre de Realengo. No fórum, Wellington também é tratado como um herói. Esse fato está levantando outra questão importante: se a necessidade de reconhecimento foi o que motivou a dupla a cometer o ataque à escola.

  • Massacre na Nova Zelândia

O autor do massacre na cidade de Christchurch, na Nova Zelândia, que deixou 50 mortos em duas mesquitas, também era usuário destes fóruns, onde se troca de fotos de pornografia infantil a dicas de como realizar um ataque. O atirador fez uma transmissão ao vivo de 17 minutos que inclui imagens explícitas de um dos tiroteios.

*Estagiária sob supervisão de Marjana Vargas

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