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Entenda como diferentes fatores explicam a sensação de que o tempo está voando

Sensação está sendo estudada por cientistas. (Foto: Reprodução)

Experimente digitar, em campos de buscas das redes sociais, combinações de palavras como “tempo”, “passando rápido” ou “voando”. Você provavelmente vai encontrar um mural de mensagens denunciando uma sentida aceleração do tempo – e entre elas pode estar até uma postagem sua ou de um amigo.

Esta sensação parece ser tamanha que vem ganhando novas frentes de estudo pelo mundo, da história à neurociência. Em outubro, por exemplo, aconteceu na França a primeira conferência da Timing Research Forum – um grupo multidisciplinar e internacional que pesquisa o tempo e sua percepção, criado em 2016.

No Brasil, há também um laboratório dedicado a estudos sobre o tempo e a cognição, na UFABC (Universidade Federal do ABC). E, neste ano que se aproxima do fim, o Prêmio Nobel de Medicina laureou três cientistas que se debruçaram sobre os mecanismos moleculares que ditam os ciclos circadianos – aquilo que costumamos chamar de relógio biológico.

As tecnologias podem estar contribuindo para a sensação de que o tempo está acelerado? O tempo passa rápido quando estamos nos divertindo? Qual é o lugar do aumento da longevidade nessa equação?

Para responder a essas perguntas, a reportagem conversou com pesquisadores das ciências naturais e sociais que vêm se dedicando ao tema. Spoiler: a percepção do tempo é um fenômeno altamente complexo, indo muito além da aparente ordem dos relógios e calendários que avançam em sintonia. É também ainda cercado por mistérios. Mas, sim, em geral o tempo voa quando estamos nos divertindo – a questão é que nossa percepção sobre o tempo é uma quando falamos da vivência momentânea, e outra quando criamos uma memória sobre ela.

Se para você as badaladas dos sinos de Natal soam quase como um alarme, entenda como os fatores abaixo podem estar influenciando a sua percepção sobre o tempo.

No campo de estudo sobre a percepção do tempo, há algo chamado de “paradoxo das férias” – a percepção em um dado momento de que o tempo está passando rápido mas, quando lembrado em retrospectiva, esse período parece longo, como quando estamos de férias.

O contrário também é verdadeiro. Pense em estar em uma fila de banco: ali, naquele momento, o tempo parece passar devagar mas, quando lembrado, pode parecer que nem existiu.

Em geral, essas duas situações podem ser explicadas por dois tipos de leitura que fazemos sobre o tempo: a percepção momentânea e o julgamento retroativo. Isso já foi apontado também pelo psicólogo Daniel Kahneman ao diferenciar o “eu da experiência” do “eu da lembrança”.

“Na percepção do momento em si, o julgamento depende muito de quanta atenção você está dando para a passagem do tempo. Já quando esse momento passa, parecem mais longos os períodos em que houve uma sucessão de vários eventos diferentes”, explicou André Cravo, coordenador do Laboratório de Cognição Humana da UFABC.

Para o pesquisador, tal dualidade revela a complexidade da percepção do tempo – um processo que combina memórias, emoções, expectativas e sentidos.

“Quando falamos de tempo, esbarramos em muitos processos cognitivos. De qualquer forma, o que quer que o cérebro esteja fazendo não há nada parecido como um relógio”, diz Cravo, destacando que nossa “escala” diante do tempo vai desde os milissegundos necessários para escutar um som às variações diárias de nosso relógio biológico.

Um exemplo clássico neste debate é o do acidente de carro, onde sobreviventes costumam relatar que sentiram como se o tempo tivesse desacelerado. Para verificar se pessoas em situação de medo realmente passam por uma experiência de câmera lenta, cientistas da universidade americana Baylor College of Medicine in Houston fizeram voluntários saltarem com relógios em queda livre. Nesses relógios, eram exibidos números em uma sequência cada vez mais acelerada. No teste idealizado pelos cientistas, se a percepção do tempo durante uma situação de adrenalina realmente virasse uma câmera lenta, os voluntários poderiam identificar mais números no relógio do que em uma situação normal.

As pesquisas consideram ainda relações entre o tempo e o envelhecimento, percepção de tempo de uso de celulares, computadores e televisões, além do papel da sociedade e da modernidade na forma como percebemos o tempo passar.

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