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Insinuando sua reeleição, Bolsonaro protelou a assinatura de prêmio para Chico Buarque dizendo: “Em 31 de dezembro de 2026 eu assino”

“A não assinatura do Bolsonaro no diploma é para mim um segundo prêmio Camões", declarou o cantor em um post no seu perfil no Instagram. (Foto: Reprodução/Instagram)

O presidente Jair Bolsonaro indicou que pode não assinar o diploma do Prêmio Camões, principal troféu literário da língua portuguesa, concedido ao cantor Chico Buarque.  As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

Ao ser questionado se assinaria o documento, o presidente disse primeiramente que a decisão era “segredo”. Em seguida, disse “até 31 de dezembro de 2026, eu assino”. A cerimônia está prevista para abril de 2020.

O valor total do prêmio é de € 100 mil (cerca de R$ 447 mil) e foi dividido entre o Brasil e Portugal. A parte que cabia ao governo foi paga em junho, e a assinatura do diploma é apenas uma formalidade.

O assunto dividiu a cúpula do governo. Alguns integrantes mais moderados acreditam que o presidente deveria seguir com a tradição de assinar o documento e assim evitar um constrangimento com Portugal. Já os membros mais ideológicos defendem que o presidente faça um gesto político, se posicionando contra o uso de recursos públicos em ações que não são prioritárias.

Chico

Chico Buarque comentou nesta quarta (9) a ausência da assinatura do presidente Jair Bolsonaro (PSL) em seu diploma do Prêmio Camões. “A não assinatura do Bolsonaro no diploma é para mim um segundo prêmio Camões”, declarou o cantor em um post no seu perfil no Instagram.

O presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, demonstrou surpresa ao saber que o presidente Bolsonaro ainda não assinou o diploma. “Não tenho informação sobre isso. Sei que eu assinei o diploma, então não tenho mais informação. Se não levem a mal, tenho que verificar o que se passou”, ele disse.

O anúncio do vencedor foi feito no dia 21 de maio na sede da Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, pela presidente da instituição, Helena Severo.

Prêmio Camões

Instituído em 1988, o Prêmio Camões de Literatura tem o objetivo de reconhecer um autor de língua portuguesa que tenha “contribuído para o enriquecimento do patrimônio literário e cultural” do idioma através de seu conjunto da obra.

Conhecido principalmente como um dos maiores nomes da MPB, Chico Buarque conseguiu sucesso também como dramaturgo e como escritor. Além de ganhar os prêmios Jabuti de melhor livro do ano por “Leite Derramado” e por “Budapeste”, também foi ganhador como melhor romance com “Estorvo”.

O júri responsável pela escolha é formado por representantes do Brasil, de Portugal e de países africanos de língua oficial portuguesa.

“Os textos para teatro, as óperas são de uma qualidade sensacional. Assim também são os romances. Portanto é uma obra no seu conjunto que justifica está nossa decisão”, afirma o jurado português Manuel Frias Martins, professor na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.