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“Não só a minha carreira, mas a minha vida está ligada a Senna”, diz o ex-piloto Alain Prost

Senna e Prost se abraçam no pódio após o título do brasileiro em 1988. (Foto: Reprodução)

O ex-piloto francês Alain Prost, 64, afirmou em entrevista à agência de notícias AFP que até hoje sua vida está ligada a Ayrton Senna. “Não há um momento sequer em que, se alguém fala em Prost, não mencione Senna, e vice-versa. Não apenas minha carreira, mas também minha vida está ligada a ele. Vivo com ele há uns 30 anos”, disse Prost.

A morte do brasileiro, vítima de acidente no GP de San Marino, em Ímola, em 1994, completa 25 anos nesta quarta-feira (1º).

Tetracampeão da F-1 (1985, 1986, 1989 e 1993), Prost foi companheiro de equipe e rival de Senna, tricampeão da categoria (1988, 1990 e 1991).

Sua rivalidade com Ayrton Senna marcou a história da F-1, talvez mais que qualquer outra. Como você explica isso? São coisas que podemos explicar, mas não completamente. Não se passa um único dia sem que se fale disso. Alguma coisa sai praticamente todos os dias nas redes sociais, é espantoso. Deixamos uma impressão profunda, mas não nos demos conta disso completamente no passado. Resumindo: passamos de um mundo de especialistas da F-1 a um mundo totalmente aberto.

Vimos todos os grandes meios de comunicação se interessarem porque havia essa batalha humana entre dois pilotos de carisma, cultura e educação diferentes. Essa rivalidade foi incrível, mas também era ligada a todo o cenário da F-1 e, lamentavelmente, a morte de Ayrton a deixou congelada no tempo.

Na realidade, eu só corri dois anos com ele na mesma equipe e apenas quatro ou cinco anos ao todo (ambos disputando o mesmo título). Fiz muitas coisas, ganhei muitas corridas e campeonatos sem ele, mas nossa história está totalmente ligada. Não há um momento sequer em que, se alguém fala em Prost, não mencione Senna, e vice-versa. Não apenas minha carreira, mas também minha vida está ligada a ele. Vivo com ele há uns 30 anos.

Como se convive com o peso dessa história? Quando corríamos um contra o outro, mais ou menos 50% das pessoas me adoravam e 50% me odiavam, era realmente incrível. Depois de eu me aposentar, em 1993, as coisas mudaram. Por sorte houve quase seis meses de amizade entre nós desde o momento em que me aposentei da F-1 até o acidente. Isso mudou nossa relação completamente.

E depois da morte de Ayrton, eu diria que os seguidores dele, não todos, é claro, porque sempre há os que são irredutíveis, mas a grande maioria se uniu em uma história comum, não em torno de Prost contra Senna. E isso é bonito. Por isso eu também tive muita sorte de ter vivido isso dessa maneira.

Há alguns casos de rancor, de pessoas que assistiram ao filme (o documentário “Senna”, do britânico Asif Kapadia, de 2010), que é um disparate, é uma pena, mas o resto é fabuloso. Quando vou ao Brasil, talvez eu seja mais conhecido até que na França e há um entusiasmo incrível, porque há uma coisa que se converteu em respeito, já que faço parte da Fundação Senna e sempre estive muito próximo da família.

De que maneira o acidente fatal de Senna no Grande Prêmio de San Marino, em Ímola, mudou a F-1? Há um antes e um depois. Em matéria de segurança, já havia sido dado um pequeno passo à frente, mas é duro dizê-lo, porque houve o acidente fatal de Roland Ratzenberger no sábado e outro acidente de Rubens Barrichello na sexta-feira. Sem o acidente de Ayrton no domingo não teria havido grandes mudanças. O acidente de Ayrton colocou tudo de pernas para o ar em matéria de segurança, pelo bem dos pilotos.

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