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No Japão, o número de mortes é muito superior ao de nascimentos

 A população do Japão perdeu mais de 430 mil pessoas no ano passado. (Foto: Reprodução)

O ritmo do declínio populacional do Japão está acelerando, com o país devendo perder o equivalente a uma cidade de tamanho médio todos os anos em um futuro previsível. A população do país perdeu mais de 430 mil pessoas no ano passado, segundo novos números divulgados pelo Ministério de Assuntos Internos.

Isso foi parcialmente compensado por uma entrada líquida de mais de 161 mil imigrantes, mas mesmo assim o ritmo geral do declínio atingiu um novo patamar de -0,21%. Isso deixou a população em 126,4 milhões, em comparação ao pico de 128 milhões alcançado em 2010.

O declínio da população natural do Japão está entre os maiores do mundo, embora alguns países europeus com altas taxas de emigração – como a Romênia e a Bulgária – estejam encolhendo ainda mais rapidamente.

O ritmo mais acelerado do declínio populacional vai aumentar o dilema do Japão em permitir ou não uma imigração mais permanente e criar ou não condições mais duras para todas as companhias dependentes dos gastos do
consumidor doméstico.

“O motivo da população do Japão estar caindo tão rapidamente não é a baixa taxa de nascimentos, e sim o aumento do número de mortes”, diz Akihiko Matsutani, professor emérito de economia aplicada do National Graduate Institute for Policy Studies.

O Japão teve um “baby boom” antes mesmo da Segunda Guerra Mundial, por causa da pressão dos militares para aumentar a taxa de natalidade. “Essas pessoas estão agora chegando ao fim da vida”, diz Matsutani.

O ritmo das mortes deverá aumentar de forma constante até atingir um pico em torno de 2030, resultando numa contínua aceleração do declínio populacional. Depois disso, a população continuará caindo por causa da baixa taxa de natalidade, mas o ritmo deverá parar de acelerar.

Houve 944.146 nascimentos no ano até outubro de 2018, comparado a 1.368.632 mortes. Em 2011 houve 1.073.663 nascimentos e 1.256.387 mortes.

As projeções de longo prazo sugerem que a população do Japão cairá para apenas 50 milhões em 100 anos, o mesmo número de um século atrás, segundo Hiroshi Yoshikawa, da Rissho University.

“Um grande problema é que com o declínio da população vem o envelhecimento da população”, diz o professor Yoshikawa, o que impõe um grande fardo sobre as finanças públicas e as comunidades locais, conforme elas se esforçam para cuidar das pessoas mais velhas. Mas ele diz que o Japão ainda poderá esperar um crescimento econômico numa base per capita.

A população de residentes estrangeiros atingiu um novo pico de 2,2 milhões em 2018. Uma economia forte e reformas nas leis de imigração pelo premiê Shinzo Abe vêm aumentando a entrada de trabalhadores convidados.

Mas ainda há uma discussão intensa sobre a transformação dessas pessoas em imigrantes de longo prazo, se elas vão se estabelecer e ter filhos no Japão, o que ajudaria a estabilizar a população no longo prazo. A maioria dos trabalhadores convidados têm vistos de permanência por tempo limitado, que não permitem que eles sejam acompanhados por suas famílias.

“O aumento dos trabalhadores estrangeiros está moderando o declínio da população”, diz Matsutani. Mas ele alerta que a estratégia do trabalhador convidado está perpetuando um modelo econômico baseado na mão de obra barata e ainda deixa uma estrutura populacional desequilibrada.

Para o professor Yoshikawa, faz sentido abrir o país para a imigração. “O melhor primeiro passo seria aceitar mais dos estudantes asiáticos que já estejam estudando no Japão.”