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Nos Estados Unidos, mulheres vão às ruas protestar pelo direito ao aborto

Alusão à série "O Conto da Aia" durante os protestos. (Foto: Reprodução/Twitter)

Em várias partes dos Estados Unidos, manifestantes foram às ruas nesta terça-feira (21) em atos pelo direito ao aborto no país. Nas últimas semanas, diversos estados – como Alabama, Geórgia e Missouri – aprovaram leis que restringem ou vetam o acesso ao procedimento, que é um direito garantido por decisão federal.

Vários manifestantes se concentraram em frente à Suprema Corte, em Washington – incluindo democratas que concorrem à nomeação partidária para a campanha de 2020, segundo a agência de notícias Reuters.

Nos Estados Unidos, o direito ao aborto é garantido pela decisão “Roe versus Wade”, proferida em 1973 pela Suprema Corte, que garante o direito ao procedimento até o chamado “ponto de viabilidade” do embrião – entre 24 e 28 semanas de gestação. Depois disso, considera-se que o feto pode sobreviver fora do útero da mulher, e o aborto pode ser feito se houver risco de vida para ela.

“Nós não vamos permitir que eles façam o nosso país voltar atrás”, afirmou a senadora Amy Klobuchar, que concorre à nomeação democrata. Outro candidato, Cory Booker, pediu à multidão que “acordem mais homens para se juntarem a essa luta”.

O protesto em frente à Suprema Corte é um dos vários marcados para esta terça (21) ao redor do país, por entidades como a ACLU – sigla para American Civil Liberties Union, entidade que defende direitos civis nos Estados Unidos –, o Planned Parenthood e o Naral Pro-Choice America.

O pré-candidato Pete Buttigieg, que também participou dos protestos em Washington, afirmou que “minha campanha inteira é sobre liberdade”, de acordo com a Reuters. Buttigieg é o único candidato abertamente gay a concorrer à nomeação democrata.

A senadora Kirsten Gillibrand, também pré-candidata, afirmou que “este é o começo da guerra do presidente Trump contra as mulheres. Se ele quer a guerra dele, ele vai ter a guerra dele, e vai perder”, disse. Gillibrand já afirmou que, se eleita, só vai indicar juízes e membros da Suprema Corte que concordem com a decisão proferida em Roe versus Wade.

O presidente Donald Trump, que é contrário ao aborto, usa a questão para agitar os seus apoiadores de base, diz a Reuters. Trump declarou no sábado (18) ser “decididamente pró-vida”, embora favorável a exceções para a interrupção da gravidez em casos de estupro ou incesto. Essas duas restrições não estão na lei que foi sancionada no Alabama na semana passada.

Apenas com votos de homens, Alabama aprovou veto ao aborto até em casos de estupro

O Senado estadual do Alabama (sudeste dos Estados Unidos) aprovou no dia 14 de maio uma medida que proíbe quase todos os abortos no Estado, apresentando um verdadeiro desafio à decisão do caso Roe versus Wade, em 1973, quando a Suprema Corte reconheceu o direito constitucional da mulher a interromper a gravidez.

A legislação proíbe abortos em qualquer fase da gravidez e criminaliza o procedimento para médicos, que poderão ser acusados de crime grave e enfrentar até 99 anos de prisão. Ela inclui uma exceção para os casos em que a vida da mãe corre sério risco, mas não casos de estupro ou incesto –tema de forte debate entre legisladores nos últimos dias.

A lei foi aprovada com os votos de 25 senadores, todos eles homens, brancos e membros do Partido Republicano. A casa tem 35 assentos, dos quais apenas quatro são ocupadas por mulheres.

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