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Milton Nascimento ignora Roger Waters e canta em Tel Aviv

Após repercussão nas redes sociais, o cantor fez um post para se retratar. (Foto: Reprodução/Instagram)

Apesar da pressão do músico Roger Waters e do movimento BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções) contra Israel, o cantor e compositor Milton Nascimento realizou no domingo (30) o show “Clube da Esquina” em Tel Aviv.

“Shalom, Tel Aviv”, disse Milton a um público de cerca de 2.000 pessoas. Ovacionado, ele não falou nada sobre política durante o show de duas horas. Produtor do show, o brasileiro Daniel Ring, que vive em Israel, apresentou Milton afirmando que se tratava da “concretização de um sonho de amor e paz de um grupo de amigos”.

Em uma carta, Roger Waters cobrava a reação de Milton a apelos que ele cancelasse a passagem de sua turnê por Israel. No sábado (29), Milton publicou em suas redes sociais uma resposta à mensagem enviada pelo ex-Pink Floyd, um dos maiores apoiadores do BDS, que pressiona artistas a não se apresentarem em Israel alegando que o país comete crimes contra os palestinos.

“Pouquíssimas vezes declinei de um convite. Afinal de contas, todo artista deve ir aonde o povo está, não é mesmo?”, escreveu Milton, depois de visitar Jerusalém. “Durante a ditadura militar brasileira eu jamais deixei de tocar no meu país. Então, por que eu deixaria de tocar agora? Por que deixaria de compartilhar experiências de amor e mudança enquanto acontece no Brasil um governo de extrema-direita? Mesmo divergindo das ideias de um governo, jamais abandonarei meu público.”

Em quase todos os shows da parte internacional da turnê (Reino Unido, Holanda, Espanha e Portugal), houve protestos de manifestantes contra o show em Israel. “Teve manifestaçõezinhas no final de vários shows. Sempre com meia dúzia de pessoas”, contou o produtor musical brasileiro Manitu Szerman, da Yellow Noises, responsável pelos shows na Europa.

Em 12 de junho, o BDS publicou um pedido público em sua página na internet com o título “Milton: a voz que vem do coração diz não ao apartheid”. A ONG lembra que o cantor Caetano Veloso, após se apresentar em Tel Aviv em 2015, anunciou que nunca mais tocaria em Israel.

O BDS também afirma que, em 2018, Gilberto Gil cancelou sua apresentação em Tel Aviv “após os massacres de palestinos em Gaza perpetrados por Israel”. Mas Gil negou que o cancelamento tivesse a ver com o BDS e afirmou que se apresentou em Israel mais de dez vezes.