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O ex-presidente do Peru Alejandro Toledo foi preso nos Estados Unidos, acusado de receber propina de 20 milhões de dólares da brasileira Odebrecht

O ex-presidente do Peru Alejandro Toledo foi detido nesta terça-feira (16) por acusações relacionadas ao escândalo de corrupção da Operação Lava-Jato. (Foto: Reprodução/Ministério Público peruano)

O ex-presidente do Peru Alejandro Toledo (2001-2006) foi detido nesta terça-feira (16) nos EUA por acusações relacionadas ao escândalo de corrupção da Operação Lava-Jato, informou o Ministério Público peruano. “O ex-mandatário se encontra em seu primeiro comparecimento perante as autoridades judiciais americanas, como parte do processo orientado a lograr seu retorno ao país”, afirmou o órgão em uma rede social. As informações são do jornal Folha de S.Paulo e da agência de notícias Reuters.

Toledo trabalhava atualmente como professor visitante da Universidade Stanford, próximo a San Francisco.

O encarregado do caso é o juiz Thomas S. Hixson, da Corte Federal do Distrito Norte da Califórnia, em San Francisco, que decretou a prisão preventiva de Toledo após a primeira audiência.

“A audiência de detenção está programada para a próxima sexta-feira, às 10h30 locais [14h30 Brasília]”, afirmou nota do Departamento de Justiça dos EUA.

Considerado foragido pela Justiça peruana, Toledo, 73, é acusado de ter recebido US$ 20 milhões (R$ 75 milhões, em valores atuais) de propina da Odebrecht em troca da outorga da licitação da rodovia Interoceânica, que liga o Peru ao Brasil.

É acusado ainda de tráfico de influência, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

Em março de 2019, o empresário peruano-israelense Josef Maiman, amigo de Toledo, assinou um acordo de colaboração com a Justiça e afirmou que a construtora brasileira depositou US$ 35 milhões, e não US$ 20 milhões, nas contas do ex-presidente.

Também é investigada a compra de uma casa e de um escritório, no nome da sogra de Toledo, por cerca de US$ 5 milhões – que supostamente seriam fruto de lavagem de dinheiro.

A mulher do ex-presidente, Eliane Karp, também é alvo de uma ordem de prisão por lavagem de dinheiro.

Toledo nega as acusações, que diz terem motivação política.

Seu advogado, Heriberto Benítez , disse à rádio peruana RPP que o ex-presidente não teve acesso ao devido processo durante as investigações.

Benítez afirmou ainda que a prisão do presidente não significa que se tenha aprovado uma extradição. “É parte de um processo, como ocorre em outros países, e nos próximos dias coordenaremos com a defesa nos EUA.”

O advogado criminalista César Nakazaki afirmou que o processo de extradição “pode demorar de seis a oito meses e que será uma dura batalha legal para o Peru”.

É importante que Toledo demonstre as raízes que têm nos EUA”, afirmou o advogado peruano James Rodríguez, especialista em extradição, à rádio RPP.

O Peru é um dos países mais afetados pelo escândalo de corrupção da Odebrecht, que admitiu ter pago ao menos US$ 29 milhões em subornos ao longo de três governos peruanos. Em fevereiro, a construtora anunciou um acordo de colaboração com a Justiça peruana.

Além de Toledo, estão sendo investigados os ex-presidentes Ollanta Humala (2011-2016), preso por nove meses e que agora responde ao processo em liberdade condicional e Pedro Pablo Kuczynski (2016-2018), que renunciou em março de 2018 após denúncias de corrupção.

Em um episódio que chocou o mundo, o ex-presidente Alan García (19985-1990 e 2006-2011) se matou após saber que a Justiça havia pedido sua prisão preliminar por dez dias.

Nascido em Cabana, uma região andina de extrema pobreza a quase 4 mil metros de altitude, Toledo foi pastor de ovelhas e ajudou a criar alguns de seus 15 irmãos.

Ainda criança, passou a viver no porto de Chimbote, onde trabalhava vendendo balas e jornais e engraxate.

Formou-se pela Universidade de San Francisco, nos EUA, em 1970, e obteve doutorado em Economia em Stanford. Trabalhou no Banco Interamericano de Desenvolvimento e no Banco Mundial.

Durante seu governo, a economia peruana cresceu de maneira contínua.

Como parte de um acordo de colaboração com o Departamento de Justiça dos EUA, a Odebrecht admitiu ter pago quase US$ 800 milhões em subornos a governos ao redor da América Latina.

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