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O ministro da Agricultura disse que as novas fases da Operação Carne Fraca podem “chacoalhar” o Paraná

Maggi fez questão de frisar que a investigação da Polícia Federal é referente às práticas de 2014 e 2015, dando a entender que os problemas investigados não são atuais. (Foto: Reprodução)

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, afirmou nessa terça-feira que sua pasta está “muito alerta” aos próximos desdobramentos da Operação Carne Fraca, que devem conter “uma delação premiada de um servidor”. A Carne Fraca foi deflagrada em março de 2017 e investiga esquema de liberação de licenças e fiscalização irregular de frigoríficos por meio do pagamento de propina a fiscais do ministério.

“Existe uma preocupação com o Paraná, de ter uma delação premiada de um servidor. A hora que vier a público (essa delação premiada), vai chacoalhar o Paraná”, disse ele em conversa rápida com jornalistas em São Paulo.

 A delação a que o ministro se refere é a de Daniel Gonçalves, ex-superintendente do Ministério da Agricultura no Paraná. O acordo de colaboração já foi inclusive homologado. De acordo com essas fontes, Gonçalves relatou irregularidades relacionadas à BRF e a frigoríficos de outras empresas.
“Infelizmente, a BRF foi a mais acusada. Tenho até dó da empresa, porque ela ficou sob nossa orientação, passamos a fiscalizar com muita frequência e eles de fato fizeram a lição de casa, subiram de patamar. No momento em que começava a ganhar elogios, ela leva uma bordoada. Mas são coisas do passado”, disse o ministro Blairo Maggi.

Na deflagração da primeira fase da Carne Fraca, Gil Bueno de Magalhães, que era na época superintendente do Ministério da Agricultura no Paraná, foi apontado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público como o chefe do esquema investigado. A terceira fase da Operação Carne Fraca, chamada de Operação Trapaça, ocorreu na segunda-feira da semana passada.

Maggi fez questão de frisar que a investigação da Polícia Federal é referente às práticas de 2014 e 2015, dando a entender que os problemas investigados não são atuais.

“De lá pra cá, nós temos condição de dizer que muita coisa mudou. Muita coisa melhorou. Muita coisa foi reanalisada. O Ministério da Agricultura subiu as regras, nós suspendemos várias plantas de exportação antes que eles fizessem isso por nós porque checamos que não estava correto”, disse, completando que a atuação do Ministério agora é “proativa”.

Além de União Europeia e Hong Kong, outros mercados da carne de aves brasileira pediram informações adicionais ao governo brasileiro, disse o ministro, sem, porém, especificar quais foram os outros países. “Acho que todos vão pedir”, comentou. “Acho legítimo. Eu, na posição de ministro da Agricultura, faria o mesmo.” O governo providenciou o embargo das exportações de três frigoríficos investigados para 12 mercados importadores. O ministro disse que as providências tomadas por eles estão sendo checadas. Se estiver tudo correto, o fim dessa medida será estudado.

 

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