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A Polícia Federal disse que a prisão de Joesley Batista e de delatores foi decretada porque houve omissão de fatos

Empresário Joesley Batista foi preso nesta sexta-feira. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A prisão de três executivos da JBS que são delatores da Lava-Jato foi necessária, segundo a PF (Polícia Federal) de Minas Gerais, responsável pela Operação Capitu deflagrada nesta sexta (9), porque os colaboradores omitiram informações.

“A Polícia Federal descobriu omissões intencionais e contradições graves que colocam em xeque a credibilidade da colaboração, isso caracterizou obstrução de Justiça e prejuízo à instrução criminal do inquérito policial instaurado”, afirmou Mário Veloso, delegado responsável pela investigação.

“Mentiram e omitiram em alguns pontos. Há indícios muito fortes sobre isso. Por isso as prisões foram expedidas”, disse o delegado em entrevista coletiva na sede da PF em Belo Horizonte.

Questionado pelo jornal Folha de S. Paulo sobre a necessidade de prender pessoas que já se tornaram colaboradores por meio de delação premiada, Veloso afirmou que houve obstrução de Justiça.

“[A prisão foi necessária] Para que elas não atrapalhassem as investigações, os depoimentos, para que a gente pudesse coletar todas as provas sem interferência da organização criminosa. E eles vinham obstruindo a Justiça, a gente tem elementos fortes de que os integrantes dessa organização criminosa estavam atrapalhando a coleta de provas pela PF.”

Em maio, a Polícia Federal de Minas instaurou um inquérito para apurar fatos narrados na delação da JBS, como um desmembramento determinado pelo próprio Supremo Tribunal Federal à época da homologação da delação. O objetivo era investigar pagamento de propina no Mapa (Ministério da Agricultura) e a políticos do MDB em troca de benefícios para a empresa produtora de carnes.

Nesta sexta, foram presos Joesley Batista, Ricardo Saud e Demilton de Castro, da JBS, em São Paulo. Florisvaldo Caetano de Oliveira, também da empresa, teve o mandado de prisão expedido e se entregará em São Paulo, segundo sua defesa.

Também foram alvos de prisão o vice-governador de Minas Gerais, Antônio Andrade (MDB), que foi titular do Mapa entre 2013 e 2014, e seu sucessor no ministério, Neri Geller (PP), eleito deputado federal neste ano. João Magalhães (MDB), deputado estadual em Minas, também foi preso por ajudar a distribuir a propina paga pela JBS à bancada mineira do MDB.

De acordo com Veloso, Joesley, Saud e Castro estiveram na sede da PF em Belo Horizonte em três ocasiões para prestar depoimentos. O delegado afirmou, porém, que verificou que os delatores estavam omitindo informações, como o pagamento de R$ 250 mil a Geller, por exemplo, que foi noticiado pela imprensa. A PF verificou que a contribuição era fixa e mensal, uma espécie de mensalinho.

Outro ponto omitido, segundo o delegado, foi o pagamento de R$ 50 mil ao então deputado federal Manoel Junior (MDB-PB) para que ele promovesse a federalização das inspeções sanitárias por meio de uma emenda em uma medida provisória de 2014 que tratava do setor farmacêutico. Essa informação foi obtida pela PF em outro inquérito em andamento em Uberlândia.

“Esse é um fato que não foi declinado na colaboração dos quatro envolvidos dessa empresa. E que foram pagas propinas tanto para o setor do Mapa que interessava à empresa quanto para o titular na época”, disse Veloso.

Questionado se os pagamentos de propina não haviam sido revelados em momento algum pelos delatores, o delegado informou que não.

No entanto, conforme o advogado Pierpaolo Bottini, que defende Joesley, a participação de Caetano, funcionário da JBF, nos crimes investigados “sempre esteve clara”. “Ele, inclusive, entregou um anexo sobre o assunto”, diz Bottini.

No anexo, Caetano declara que entregou R$ 250 mil ao então ministro Geller, em seu gabinete em Brasília. O colaborador inclui no anexo uma foto que tirou com o ministro após a entrega.

Veloso afirmou que, após concluir que houve omissões e contradições, pediu um novo depoimento aos três empresários, que acabou sendo feito por escrito por questões de logística e urgência. Somente nesse quarto depoimento é que Caetano foi incluído. Ainda assim os delatores não disseram tudo o que sabiam.

“Nessa manifestação por escrito foi incluído um quarto colaborador da empresa, que eles alegavam que não tinha participação nos fatos investigados. Mas a polícia descobriu que ele realmente tinha”, afirmou.

De acordo com o delegado, as omissões tinham o objetivo de dirigir a investigação da PF para determinados fatos, protegendo outros personagens envolvidos e, assim, podendo perpetuar as atividades ilícitas no Mapa.

Segundo a PF, a operação desta sexta é baseada na delação de Lúcio Funaro (apontado como operador financeiro do MDB).

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