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Oposição e Centrão querem convocar Sérgio Moro a prestar depoimento no Congresso

(Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

A iniciativa do ministro da Justiça e Segurança, Sérgio Moro, de ligar para autoridades hackeadas, avisá-las das invasões nos celulares e dizer que ia destruir as mensagens interceptadas irritou líderes da oposição e do Centrão. Nos bastidores, o envolvimento do ministro na condução da Operação Spoofing – na qual está implicado –, pode acirrar os ânimos de deputados dispostos a chamá-lo para prestar depoimento no Congresso.

Os parlamentares querem saber por que Moro teve acesso às informações da Operação Spoofing, que corre sob sigilo da Justiça. Também pretendem pressioná-lo sobre a ordem para a destruição de dados privados apreendidos pela Polícia Federal. No Congresso, a declaração de Moro foi interpretada como uma “chantagem” por dizer que teria acesso aos dados dos parlamentares e que iria apagá-los.

Há uma desconfiança entre os deputados de que Moro usa politicamente o caso para tirar o foco do conteúdo revelado sobre suas conversas privadas, em especial os diálogos com o procurador da força-tarefa da Lava-Jato, Deltan Dallagnol. Parlamentares consideram ainda que o ministro atropelou o devido processo legal ao acessar a lista de alvos dos hackers e decidir fazer ligações para comunicar as invasões.

“O ministro ligar para as autoridades do país dizendo que os mesmos foram hackeados, mas que fiquem tranquilos porque as mensagens estão preservadas, é chantagem pura”, afirmou um líder do Centrão, sob condição de anonimato.

Um grupo de deputados tenta usar as declarações de Moro para evitar que ele se fortaleça perante a opinião pública e use sua popularidade para desgastar o Congresso. Avaliam que o ministro tenta construir uma estratégia de se colocar como apenas mais uma vítima das invasões dos celulares, ignorando o conteúdo das mensagens reveladas pelo Intercept.

“Uma coisa é a fonte dos dados. Outra, são os dados. Está certo prender os criminosos, mas não vai resolver o conteúdo. Infelizmente vivemos nos últimos anos vazamentos de todos os lados e foram sempre bem recepcionados”, disse outro líder do Congresso.

No Senado, o líder da oposição, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), avalia que Moro precisa ser interpelado novamente na Comissão de Constituição e Justiça da Casa, apesar da presidente do colegiado, Simone Tebet (MDB-MS), considerar prematura a convocação. Se não passar na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), Randolfe acha ainda que o assunto pode ser tratado na CPI da Fake News, que deve ser instalada após o recesso.

“Hackeamento é crime, deve ser apurado e punido. Mas não pode o ministro, ao mesmo tempo em que alega ser vítima, como ministro da Justiça, comandante da Polícia Federal, dirigir a operação e ter acesso a informações sigilosos. E ainda, no lugar do juiz, declarar que as eventuais provas vão ser destruídas. Isso é um procedimento incompatível com o cargo de ministro da Justiça. Então nós estamos programando no início do processo legislativo, acho que o ministro Sérgio Moro tem que de fato voltar ao Congresso”, destacou Randolfe.

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