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Saiba por que as obras públicas no País atrasam tanto e têm a qualidade questionável

No Rio, a ciclovia Tim Maia, que custou R$ 44 milhões e deveria ser um legado olímpico, desabou pela quarta vez. (Foto: Reprodução)

Já se perguntaram sobre a demora, eficiência e qualidade das obras públicas no Brasil? Notaram como são realizadas as obras de manutenção e reparos em ruas, calçadas, pontes e viadutos de cidades como São Paulo ou outras menores? Repararam nos resultados, nos custos e no número de vezes que a obra é refeita?

Os exemplos país afora são intermináveis, principalmente os de custos reduzidos, como buracos em ruas e calçadas. Mas também não faltam os de grande porte. Especialistas apontam problemas como licitações fraudadas, falta de transparência, corrupção e mau uso do dinheiro público. As informações são do portal de notícias UOL.

Leia abaixo alguns exemplos recentes de problemas:

Viaduto na marginal Pinheiros (São Paulo): Em meados de novembro do ano passado, em São Paulo, um viaduto da pista expressa da marginal Pinheiros, na zona oeste da cidade, cedeu cerca de dois metros. A obra de reparo levou pouco mais de quatro meses e já consumiu R$ 19,9 milhões numa primeira etapa. Outros R$ 6,58 milhões ainda devem ser gastos na segunda fase (reformas), que não tem previsão de finalização, já que as propostas das empreiteiras foram entregues na sexta-feira (12).

Ponte de acesso à via Dutra (São Paulo): Ainda em São Paulo, uma ponte que dá acesso à rodovia Presidente Dutra pela pista expressa da Marginal Tietê foi interditada na última semana de janeiro por apresentar risco de desabamento. Até agora, não se sabe quando será reaberta e nem quanto custará a obra.

Ciclovia Tim Maia (Rio): No Rio, a ciclovia Tim Maia ao longo da avenida Niemeyer, que custou R$ 44 milhões e deveria ser legado olímpico, desabou pela quarta vez durante o temporal do último dia 8.

O que explica a ineficiência pública brasileira?

São vários os fatores que levam a essa situação no Brasil, segundo Henrique Dinis, professor de engenharia civil da Universidade Mackenzie. “Muitos inerentes ao próprio contexto do reparo. Mas a maioria em decorrência de uma tendência natural à inoperância do setor público”, disse ele.

O professor afirmou que favorecimentos em processos licitatórios, protecionismo, falta de transparência, fisiologismo político, corrupção e desvio do dinheiro público para campanhas eleitorais estão entre os fatores que atrasam e encarecem as obras de reparo, além de gerar perdas para o bolso do contribuinte.

Cidadão não tem retorno dos impostos pagos

Dinis disse ainda que a questão principal não é falta de verba. O problema está no uso errado do dinheiro. “Entre os países de maiores economias do mundo, o Brasil talvez esteja entre aqueles que dão o pior retorno à população frente aos impostos cobrados”, disse o professor.

Ao final do ano passado, a carga tributário no país chegou a 32,43% do PIB (Produto Interno Bruto). Essa taxa é superior à de Chile (20,4%), EUA (26%) e Canadá (31,7%).

Outros fatores que atrasam e encarecem obras

Burocracia. Cada etapa de uma obra de reparo exige aprovação de um órgão diferente. Qualquer pedra no caminho é um entrave que pode encarecer a obra e atrasar por meses, até anos, a sua conclusão.

Decisões simultâneas sobre investimentos públicos (pavimentação, iluminação, coleta de lixo, esgoto, drenagem, programas de habitação popular, atualização e ampliação da infraestrutura de transporte e de fornecimento de energia, adequação dos serviços operacionais de manutenção e de reparos, entre outros).

Investimentos necessários superam o volume de recursos disponíveis. E ainda são aplicados sem planejamento, atendendo apenas a urgências.

Dificuldade de estabelecer uma cultura para cobrar a eficiência do serviço público.

Dificuldades para um melhor desempenho do serviço público

Falta de continuidade dos investimentos.

Objetivos de longo prazo não são cumpridos.

Alterações e/ou mudanças nas prioridades.

“Tudo isso consome vultosas fatias de recursos públicos, que levam à ineficiência no desempenho dos setores afetados”, disse o professor da Universidade Mackenzie. Ao longo do tempo, esses fatores geram perda de conhecimento acumulado na estrutura organizacional para a realização de obras e serviços públicos, causando um processo de desqualificação, segundo Dinis.

Para ele, do ponto de vista de engenharia, parece não haver dificuldades. “Então, o problema está na gestão.”

Vinicius Marchese Marinelli, presidente do Crea-SP (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de São Paulo), disse que a mão de obra no país é qualificada e ávida para trabalhar.

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