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Quem comete fraudes consegue um novo emprego mais rapidamente que a média. A conclusão é de uma pesquisa realizada com mais de 90 profissionais demitidos por envolvimento em irregularidades no trabalho

Especialista diz que fraudadores costumam ser bem-relacionados. (Foto: Reprodução)

Como é a vida após uma fraude? Um levantamento realizado pela empresa S2 Consultoria, especializada em gestão de riscos, sugere que ela é mais fácil do que se imagina. A pesquisa entrevistou 95 profissionais que confessaram ter cometido fraudes em empresas e foram demitidos por causa da irregularidade, e a maioria conseguiu um novo emprego em muito menos tempo do que do que a média nacional.

Esses profissionais voltaram a trabalhar, em média, após quatro meses desocupados. Uma pesquisa do SPC Brasil e da CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas), divulgada em fevereiro, apontou que o tempo de desemprego entre brasileiros é de em média 14 meses.

Dentre os entrevistados pelo estudo, dois terços conseguiram um novo emprego, enquanto os demais abriram um negócio próprio. Ao menos um terço do total conseguiu uma vaga melhor do que a anterior, e 75% continuam na mesma área de atuação.

Para o consultor Renato Santos, sócio da S2, a recolocação mais rápida que a média nacional e o nível considerável de profissionais que ainda conseguiram uma promoção aponta para uma falha nos processos seletivos das companhias, mas também indica que os profissionais que cometem fraudes se encaixam com facilidade no que é buscado pelas empresas.

“O perfil do fraudador é muito sedutor, ele é articulado, bem-relacionado e consegue transitar muito facilmente”, detalha Santos.

Aprofundamento

Renato Santos desenvolveu um método conhecido como “Pentágono da Fraude”, tema de uma tese de doutorado como PhD. Em destaque, o combate a fraudes e episódios de assédio dentro das organizações empresariais. “As razões que levam os fraudadores a agir são distintas. Cada um tem sua motivação e muitas vezes elas se cruzam”, explica.

Essa metodologia tem como base os modelos “Triângulo da Fraude” e “Diamante da Fraude”, o qual foi acrescentada a “Disposição ao Risco”. É considerada como elemento preditivo fundamental, pois identifica a disposição em assumi-lo no ato decisório pelo potencial fraudador ou assediador.

Ele menciona que em 1953 o norte-americano Donald Cressey apresentou o chamado “Triângulo da Fraude”, apontando que o problema está ancorado nos pilares “Racionalização” (percepção moral do indivíduo sobre o que é certo e errado), “Oportunidade” (percepção sobre a vulnerabilidade do que se pretende fraudar) e “Pressão” (a necessidade que ele tem para fraudar).

“Na década de 1980, um quarto elemento entrou na equação acadêmica do problema: o estudo da Habilidade ou Capacidade que o fraudador tem para cometer a burla”, acrescenta Santos em um texto no site www.s2consultoria.com.br. “Ou seja: o profissional conhece os caminhos e tem poder dentro da organização para tomar certas decisões que facilitam cometer a fraude.

“Há um quinto elemento: a Disposição ao Risco, que é o cálculo que o potencial fraudador faz para se decidir pela ação”, prossegue. É preciso estar disposto a correr o risco de cometer a fraude e ser apanhado. Embora reconheça essa possibilidade, ele o aceita e segue em frente.

“Para predizer uma fraude, ou seja, para saber o potencial dela ser cometida, é necessário que o fraudador cumpra com cada uma das cinco vertentes: Pressão, Racionalização, Oportunidade, Capacidade e Disposição ao Risco.”

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