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Rastreadores de carros do ex-ministro Antonio Palocci podem provar suas delações

O ex-ministro Antonio Palocci falou a procuradores que investigam corrupção em bancos públicos e fundos de pensão. (Foto: Reprodução/TV)

Os dados dos rastreadores dos carros de Antonio Palocci são considerados um dos trunfos para corroborar fatos de suas delações premiadas, segundo pessoas familiarizadas com os documentos. Os veículos teriam sido usados para o pagamento de propinas. Com as informações, os investigadores podem cruzar datas de movimentações financeiras com os trajetos feitos nos dias específicos.

Palocci assinou na quarta-feira (9) o seu terceiro acordo de colaboração, desta vez com a força-tarefa da Operação Greenfield, do MPF (Ministério Público Federal) de Brasília. Ele entregou os dados dos rastreadores para os procuradores. As informações também foram usadas por policiais federais de Curitiba e de Brasília, nos outros dois acordos celebrados por Palocci.

O ex-ministro da Fazenda já havia assinado um acordo de colaboração com a Polícia Federal de Curitiba no qual abordou crimes cometidos no âmbito da Petrobras. Um segundo, fechado no final do ano passado com a Polícia Federal de Brasília e que tramita em sigilo, envolve acusações contra alvos com direito a foro privilegiado, como políticos com mandato. Agora, o ex-ministro assinou um novo acordo com os investigadores de Brasília para falar sobre sua atuação nos fundos de pensão.

Em um primeiro depoimento aos procuradores da operação Greenfield, ainda em 2018 e sem ter
assinado um acordo, Palocci já havia dito que o ex-presidente Lula interferia em investimentos dos
fundos de pensão desde a década de 90 e que teria recebido propina por causa de sua atuação
relacionada à construção de Belo Monte. “Que em outros casos de atuação direta do ex-presidente Lula, como dos caças, com atuação do presidente francês, receberam vantagens Lula e o PT, ou no caso de Belo Monte”, disse Palocci.

Deflagrada em 5 de setembro de 2016, a Greenfield já havia mapeado em sua primeira fase
possíveis irregularidades no investimento em Belo Monte. À época, no pedido de prisão do ex-presidente da Funcef, Guilherme Lacerda, os investigadores citam um possível desdobramento da
apuração cujo alvo seria a obra de Belo Monte.

Em outro depoimento, prestado dezembro à Justiça Federal em Brasília, Palocci acusou Lula de acertar com um lobista do setor automobilístico pagamentos ao filho caçula, Luís Cláudio Lula da Silva, em troca de benefícios viabilizados por uma medida provisória.

O ex-mandatário e o filho são réus em ações penais que tratam de tráfico de influência e suposto pagamento de propinas em troca da edição da norma, que beneficiou montadoras instaladas no Norte, no Nordeste e no Centro-Oeste. Ambos negam envolvimento em ilicitudes.

O ex-ministro declarou ter sido procurado por Luís Cláudio entre o fim de 2013 e o início de 2014 na sede de sua consultoria, a Projeto, em São Paulo, pedindo ajuda para captar recursos para projetos esportivos. Ele organizava uma liga de futebol americano no Brasil.

Palocci foi ministro da Fazenda no governo Lula e chefiou a Casa Civil na gestão de Dilma Rousseff.

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