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Variedades 15 anos depois, a Apple tem uma assistente digital esperta

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Durante mais de uma década, a Siri só prestava para tarefas extremamente simples: acionar um despertador aqui, pedir uma musiquinha ali. (Foto: Chris Welch/Bloomberg)

Demorou 15 anos para que a próxima frase se tornasse realidade, então, aproveite: Siri, a assistente digital da Apple, funciona bem, e, finalmente, chegou a hora de ativá-la no seu iPhone. Em sua terceira grande tentativa — as outras foram em 2011 e em 2024 —, a Apple conseguiu dar um rumo para sua assistente digital, que traz a companhia para a era da inteligência artificial (IA). Agora chamada de Siri AI, ela deverá estar disponível para os usuários a partir de setembro, junto com o iOS 27, mas o portal O Globo teve acesso à versão de testes, “convivendo” por cerca de um mês com a nova encarnação da ferramenta.

Não foi um caminho livre de sofrimentos. Durante mais de uma década, a Siri só prestava para tarefas extremamente simples: acionar um despertador aqui, pedir uma musiquinha ali. Era um mal que acometia toda a primeira geração de assistentes, incluindo Alexa e Google Assistente, que passavam longe das promessas do filme Ela (2013). Em 2024, a primeira tentativa da Apple de modernizá-la com recursos de IA generativa fracassou.

Olho no iPhone

O tombo fez a Apple trocar executivos e firmar um acordo de US$ 1 bilhão por ano com o Google para integrar o Gemini ao seu ecossistema de IA. Em cima do modelo da rival, a Apple criou quatro IAs, duas que rodam no próprio aparelho e duas que rodam na nuvem, para transformar a Siri em uma entidade que olha para dentro do telefone.

Ou seja, assim como Google e Samsung vêm tentando fazer com o Android, a Siri AI foi feita para entender o contexto do celular. Ela tem alta integração com os apps nativos da Apple e consegue vasculhar e-mail, mensagens, notas, galeria de fotos, mapas e o Safari em busca de informações úteis. Nos testes, ela apresentou integração limitada com o WhatsApp, algo que faz muita diferença para o mercado brasileiro — é importante que Apple e Meta conversem para contornar isso, já que a Siri AI não consegue buscar mensagens dentro do app da rival.

Na versão de testes, a Siri AI está disponível apenas em inglês e é preciso também mudar a região do aparelho para os Estados Unidos — caso contrário, a nova assistente fica “adormecida”, disponibilizando só a versão antiga. Deve ser assim também na estreia oficial, com a versão em português chegando posteriormente. Ou seja, para os testes do GLOBO, a Siri tinha menos informação disponível, pois a maioria do conteúdo no meu smartphone está em português. Mesmo assim, deu para ter uma noção das melhorias.

A primeira mudança bem-vinda é que agora é possível interagir com a Siri de duas novas formas, além de comandos por voz. Primeiro, é possível usar a barra de pesquisa, que surge ao deslizar o dedo do topo da tela para baixo — a barra vai ocupar o espaço da Ilha Dinâmica, o que é uma forma elegante de colocar para jogo um recurso subutilizado desde o seu lançamento, no iPhone 14. Além disso, toda vez que a Siri responde por voz, o texto da resposta também aparece na barra da Ilha Dinâmica. É possível alternar modos de comunicação no mesmo diálogo, indo de voz para texto e vice-versa.

Até comunica o ‘date’

A outra forma é um app próprio, como se fosse o ChatGPT — a Siri não tinha um app desde 2010, quando era produto da startup que foi comprada pela Apple. O app se mostrou muito útil por duas razões. Primeiro, é uma ótima maneira de usar a assistente quando não é possível conversar — como será compatível também com iPad e Mac, é uma maneira mais discreta de usar os recursos no trabalho ou em ambiente público.

Segundo, o app vira uma central do telefone: você ordena diferentes ações em um único lugar. Por exemplo, escrevi que queria levar minha esposa para jantar. A Siri vasculhou minhas mensagens e descobriu que ela gosta de pizza de um restaurante específico. A Siri sugeriu o lugar, ofereceu direções e perguntou se eu queria acrescentar isso à minha agenda. Sinalizei que era para marcar, e na sequência ela perguntou se eu gostaria de enviar uma mensagem de texto, comunicando o “date”. Tudo funcionou.

Para quem fala inglês e tem muito conteúdo no idioma, o iPhone pode passar dias indexando o material para fazer esse tipo de análise. Quanto mais você usa, mais esperta ela fica. Todas as conversas, mesmo as mensagens por voz, aparecem no app. Esses diálogos são excluídos automaticamente a cada 30 dias, além de manualmente a qualquer momento. Isso não muda o aprendizado dela.

Uma das evoluções mais interessantes é que a Siri consegue enxergar exatamente aquilo que aparece na tela, descrevendo, explicando, tomando ações e conectando com dados na web. O tempo de espera para respostas varia. Pode ser instantâneo em tarefas simples ou levar segundos em ações mais complexas. Com informações do portal O Globo.

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