Sexta-feira, 07 de agosto de 2026
Por Tito Guarniere | 4 de setembro de 2021
Pelo que leio na imprensa, o dia 7 de setembro, uma data de unidade nacional, agora foi capturada pelas hordas de bolsonaristas “patriotas”. Já se apropriaram das cores da bandeira – o verde-amarelo lhes pertence, e só a eles. Agora, querem para si o dia da Independência.
Da minha parte quem quiser se vestir de patriota, que o faça. Isso não faz nenhuma diferença, para o bem ou para o mal. Há certos “patriotas” que não passam de canalhas. Mas também há muita gente que, sem estar ligada ao sentimento de pátria, entretanto cumpre seus deveres, assume responsabilidades, tem uma vida produtiva e honesta, sustenta com muito trabalho a si e às suas famílias.
A ciência não tem pátria, a bondade não tem pátria. “Minha pátria é a humanidade”.
Também não me toca muito a “independência”. Sempre foi um feriado militar, de pouca repercussão na vida civil. Não faltaram esforços e iniciativas das instituições, como as escolas, para manter viva a chama, para evocar os valores da nossa história. Mas não pegou.
De todo o modo o patriotismo, a ideia de independência, estavam ali, latentes, difusos, revestidos de algum significado. O que lhes deu a atual configuração e certa densidade foi o bolsonarismo, esse conjunto erradio de valores, princípios, se me permitem assim chamar.
O bolsonarismo se afirma patriótico, mas não diz de que pátria estamos falando. Então, nesse conceito fugidio, tudo cabe – como aconteceu com o Congresso Nacional, que já esteve na mira dos bolsonaristas. Mas agora o fogo é brando. Foi-se o tempo em que o general Augusto Heleno proclamava que “se gritar pega Centrão não fica um, meu irmão”.
O alvo predileto dos ataques agora é o Supremo Tribunal Federal. Naquele amplo acampamento de desavisados – os bolsonaristas – prevalece uma concepção mal ajambrada de democracia e de República. Assim o STF, ao invés de ser o locus institucional de proteção contra a excepcionalidade, contra o arbítrio dos governantes e dos poderosos, foi trasmudado, no confuso ideário bolsonarista, em instituição que só existe para causar dificuldades ao presidente.
O bolsonarismo, e não apenas ele, mas muita gente boa, avalia a Corte Suprema na escala de cada decisão. Se não gostam, se discordam, é porque a Corte é imprestável. Nas vezes em que a decisão favorece, os ministros não fizeram mais do que a obrigação.
O Supremo pode ser contraditório, errar aqui e ali. Mas em geral o “erro” do Tribunal não é outra coisa senão a decisão que não confere com uma particular visão de mundo. Não há juiz, e menos ainda tribunal, no sistema democrático, que a todos satisfaça.
Em todo o caso, até dias atrás dava-se como certo que o 7 de setembro seria como uma espécie de divisor de águas, e até mesmo o rastilho de fogo capaz de incendiar o Brasil. Parece que mudou o tom e desta insanidade estamos livres, pelo menos por enquanto. Menos mal.
No quadro de sanatório geral em que estamos internados, só faltava que a data da Independência se transformasse na senha para o sonho golpista, que Bolsonaro acalenta dia sim, outro também.
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“Hordas bolsonaristas”, Patriotas que não passam de “canalhas” vestidos de verde amarelo??? “Se apropriaram das cores da bandeira, e agora querem para si a data da independência”
E a esquerdalha, que todos os dias publicam seus comentários neste espaço, não escrevem uma linha sequer sobre a matéria ?
Porque???
Ai o jornalista serve, ao contrário dos outros.
A prova que o jornal é isento é a publicação desta coluna.