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Colunistas Não é a hora nem a vez de Flávio

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Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

A escolha de Flávio Bolsonaro para ser o candidato da direita era previsível, uma vez que a decisão era de ordem dinástica, de Jair Messias. O círculo de pessoas próximas e confiáveis ao ex-presidente sempre foi muito estrito. Bolsonaro nunca aceitou entre seus aliados verdadeiros ninguém que não lhe fosse fiel incondicionalmente.

Por isso mesmo foi perdendo ao longo do trajeto correligionários de primeira hora – nunca confiou em alguém que, no seu campo, lhe endereçasse a mais leve crítica. E nunca teve escrúpulos em afastar do seu convívio vozes que lhe parecessem discordantes.

Dois exemplos: Sérgio Moro e Esperidião Amin. O juiz Moro chegou a integrar a primeira equipe de Bolsonaro. Mas do alto de sua soberba achou que podia ter alguma autonomia no Ministério da Justiça. Foi defenestrado de forma humilhante.

E Amin, interessado na vaga do Senado neste ano de 2026, se transformou em um bolsonarista de primeira linha, de olho no prestígio de Bolsonaro em Santa Catarina. Também de forma desprezível, teve de ceder lugar de candidato ao senado a Carlos Bolsonaro, vereador do Rio de Janeiro a pedido e ordem do pai condenado.

O fato: Jair Bolsonaro só confia nos filhos, Flávio, Eduardo e Carlos: não é só uma questão de afinidade política familiar, mas de sangue. Michelle também é Bolsonaro, mas não é de sangue – entrou na dinastia por casamento.

Os Bolsonaros frequentam o noticiário todo santo dia, em geral porque são alvos de polêmicas, ou quando eles mesmos as provocam. Não há no universo dessa gente nenhum espaço para uma proposta construtiva, uma palavra de paz, um apelo à unidade nacional. Estão sempre metidos em saias-justas, em rolos homéricos.

Assim se sucedem os conflitos com os adversários, com a Justiça, e entre eles mesmos. O vídeo de Michelle Bolsonaro a respeito do enteado candidato é constrangedor. Um inimigo não faria melhor.

Semana que passou divulgaram uma fotografia de Flávio com “Sicário”, capanga de Daniel Vorcaro que se suicidou. Flávio alegou que não se lembrava da foto e não conhecia o personagem. Mas a foto diz tudo: é um instante de congraçamento de dois amigos próximos, “Sicário” fazendo a arminha que é um gesto bolsonarista por excelência, ambos desfrutando da vida.

Antes, Flávio já aparecia nas manchetes pedindo (e recebendo) dinheiro de Vorcaro para o filme do pai – tudo mal explicado, rolo certo e dos grandes. As pesquisas eleitorais já acusaram o prejuízo desses eventos danosos envolvendo o candidato.

O problema é de origem: a escolha do candidato não se fez por nenhum critério de experiência, mérito, capacidade de articulação. Foi pelo sobrenome. O bolsonarismo não se destaca pela habilidade, nem pela inteligência. E Flávio não apenas tem uma vida pregressa cheia de rolos como ele é muito fraco.

Não fosse assim, ele seria o candidato único da direita. Caiado, Zema o conhecem muito bem, sabem das suas limitações.

Não agrega, não articula, não se impõe, não lidera. Então a campanha só pode dar na necessidade de pedir arreglo para Trump, na sucessão de fatos desabonares, no emaranhado de intrigas, nos incêndios que ele tem de apagar todos os dias.

(titoguarniere@terra.com.br)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
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