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Política 700 empresários do alto escalão jantaram com Lula em São Paulo

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"Estabilidade fiscal é uma coisa obrigatória, não é nem competência do governo, é obrigatória dele", afirmou Lula. (Foto: Ricardo Stuckert)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu na sexta-feira (25) uma reforma do Judiciário, criticou a atuação das agências reguladoras e fez críticas a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, durante encontro com quase 700 empresários e executivos em São Paulo.

Diante de uma plateia interessada em propostas para a economia, Lula afirmou que manter as contas públicas sob controle é uma obrigação de qualquer governo.

“Estabilidade fiscal é uma coisa obrigatória, não é nem competência do governo, é obrigatória dele”, afirmou. “Essa questão da estabilidade fiscal, da estabilidade econômica é uma obrigação nossa, não é nem mérito.”

Lula disse que recebeu o governo com déficit de 2,8% e afirmou que neste ano entregaria superávit de 0,1%, números que apresentou como demonstração de uma trajetória de ajuste das contas. Ao mesmo tempo, rejeitou que o equilíbrio fiscal seja obtido por meio de cortes na Previdência e nas políticas sociais.

“Quando você vê alguém falar: ‘Eu preciso cortar gasto na Previdência, eu preciso cortar gasto na política de inclusão social’, você está fazendo o que se fez historicamente nesse país que não deu certo: é tornar o pobre mais pobre”, afirmou. Em seguida, disse que responsabilidade social e fiscal precisam caminhar juntas.

Na parte política do discurso, Lula defendeu uma reforma do Judiciário e afirmou que o país precisa discutir a forma de escolha dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e a possibilidade de substituir o cargo vitalício por mandatos.

“Como é que vai escolher o ministro da Suprema Corte? Ele vai ter mandato perpétuo ou vai ter um mandato? Não vou saber como, não vou decidir sozinho, mas eu acho que a sociedade vai ter que se manifestar, porque o que está acontecendo não é bom para o país”, afirmou.

Na sequência, Lula mencionou Vorcaro. “Esse Vorcaro devia ser um malandro mesmo, que esse cara conseguiu corromper todo mundo. O que ele não corrompeu com dinheiro, ele corrompeu com orgia”, disse.

O encontro ocorreu no Hotel Tivoli Mofarrej, na região da avenida Paulista, e foi promovido pela Esfera Brasil, pelo grupo jurídico Prerrogativas e pelo Parlatório. Entre os empresários presentes estavam Joesley Batista, acionista da J&F; Gustavo Pimenta, CEO da Vale; Rodrigo Vidigal, presidente da Motorola no Brasil; Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú Unibanco; e Ricardo Lacerda, sócio-fundador e CEO do BR Partners.

Lula também criticou as agências reguladoras, especialmente a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis). O presidente afirmou que pretende rever a relação entre as autarquias e o Executivo.

“As agências vão ter que voltar a ser agência reguladora, e quem define a política pública é o Estado brasileiro. É para isso que nós somos eleitos”, afirmou. Lula acrescentou: “Nós não fomos eleitos para ver as nossas agências serem cooptadas e os empresários mandarem determinados políticos nas agências.”

Sobre a eleição, Lula pediu votos e destacou sua experiência no governo. “Vocês estão vendo quem são os candidatos. Eu não preciso falar mal de ninguém. Vocês sabem quem são os candidatos e vocês sabem quantos têm condições de governar esse país”, afirmou.

Em seguida, apresentou sua experiência e a do vice-presidente Geraldo Alckmin como argumento eleitoral. “Vocês estão diante de um cara que governou o estado mais rico por 16 anos e o único presidente que está governando há 12 anos. Qual é a dúvida?”

Em outro momento, declarou: “Se for só isso, eu sei que vocês vão votar em mim, que eu sou melhor do que ele”. Lula também afirmou que ele e Alckmin formavam uma dupla “melhor do que tudo que está na mesa”.

O presidente associou ainda a eleição à relação do Brasil com os Estados Unidos e defendeu maior autonomia nacional na exploração de terras raras e minerais críticos. “Nós precisamos nos preparar para que essa nova possibilidade de riqueza que está no subsolo seja um novo passaporte para o futuro desse país, que seja extraída aqui, seja transformada aqui, seja trabalhada aqui, industrializada aqui”, disse.

Ao falar sobre investimentos estrangeiros, afirmou: “Eu quero. Vai ter que vir para trabalhar sob o nosso comando, porque nós queremos ter conhecimento tecnológico. Porque senão a gente vai virar um mero exportador outra vez.”

Lula também defendeu investimentos em inteligência artificial e data centers. “Nós temos que ter os nossos data centers, porque eu não quero ficar brigando entre a China e os Estados Unidos para saber qual é a inteligência artificial. Quero a nossa”, afirmou.

O discurso terminou em tom eleitoral, com Lula apresentando novamente sua chapa com Alckmin e pedindo votos para o primeiro turno. (Com informações da Folha de S.Paulo)

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