“Os números recentes de inflação começaram a incomodar. Desde o último Copom, a mediana do Focus para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor – Amplo (IPCA) de 2021 passou de 3,0% para 3,47%. É um aumento relevante que deve acender a luz amarela.”
No início de novembro, o Credit Suisse já havia alterado o cenário para a política monetária, prevendo início do aumento de juros em junho, em vez de no segundo semestre do ano que vem, levando a Selic a terminar dezembro em 4,50%.
Da mesma forma, o Banco BV recentemente antecipou a expectativa de início da alta de juros de outubro para agosto de 2021, devido à retomada mais rápida da economia global, que deve “levar pressão” para 2022. A taxa Selic deve terminar o ano que vem em 3% e, depois de um ciclo longo, chegar a 6%.
Reajuste
No curto prazo, porém, o aumento das projeções de IPCA em 2020 devido à antecipação da retomada da bandeiras tarifárias pela Aneel não deve ser problema para o BC. “Isso deve dar mais conforto para o Banco Central, pois a inflação tende a ficar menor, gerando uma inércia menor para 2022”, diz o economista Carlos Lopes, do Banco BV.
O Banco Safra também já admite antecipar sua aposta para o início do aperto monetário do quarto trimestre “para o terceiro ou possivelmente para finais do segundo trimestre”, conforme relatório semanal. Segundo o banco, as seguidas revisões para cima nas projeções de inflação de 2021 têm levado ao questionamento sobre as condições para a manutenção dos juros no patamar atual.
Para Gino Olivares, economista do Insper e da consultoria Galápagos, em algum momento esses juros têm de subir, mas as discussões sobre quando deve acontecer estão sendo muito influenciadas pela inflação mais recente. “Honestamente, não é que seja um problema. Quando acontece um terremoto, logo depois tem uma série de pequenos tremores, a terra continua tremendo até que se estabilize novamente. A covid-19 foi o terremoto e esses números de inflação são as acomodações, mas vão começar a diminuir de intensidade. Pesa, sim, sobre os mais pobres, mas é algo passageiro.”
Para o Safra, a reunião de março, após a eleição no Congresso, poderia ser “oportuna” para manifestação do BC sobre o instrumento. “Mas poderá ainda ser muito cedo para uma decisão sobre a própria Selic, com um eventual aumento sendo deixado mais para maio.”
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.