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Mundo Dose a mais em frascos da vacina da Pfizer causa problema nos Estados Unidos

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Coreia do Sul diz que ataques cibernéticos visam lucrar com a venda das informações. (Foto: Reprodução)

No fim de 2020, os Estados Unidos descobriram que cada frasco da vacina da Pfizer/BioNTech poderia render mais doses do que se calculava até então. Mas isso virou um problema.

A descoberta foi na hora de vacinar. A Pfizer entregou os primeiros carregamentos, em dezembro, informando que cada ampola tinha uma quantidade suficiente para cinco doses. Mas os profissionais de saúde viram que, muitas vezes, dava para aplicar seis; ou seja, 20% a mais. Os registros de vacinação confirmaram essa diferença, que foi reconhecida oficialmente pelo governo do agora ex-presidente Donald Trump em janeiro.

A boa notícia é que é possível vacinar mais pessoas com cada ampola. A Pfizer então passou a contabilizar a sexta dose – o que significa que vai entregar menos ampolas daqui para frente para cumprir o contrato com o governo americano, que é de 200 milhões de doses até o final de julho. A empresa alega que, assim, terá mais vacinas disponíveis para outros países. Em vez de fabricar 1,3 bilhão de doses, como tinha planejado para 2021, passa a ter capacidade de produzir 2 bilhões.

A má notícia é que o manual de vacinação da FDA, a agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos, afirma que só dá para garantir essa dose extra se forem usadas seringas e agulhas de alta eficiência. Com seringas comuns, é mais difícil tirar todas as doses do frasco. O risco, agora, é de o país pagar por doses que não vai conseguir aplicar.

Quando uma vacina é aplicada, um pouco do líquido sempre continua dentro da seringa, retido em um espaço entre a ponta da seringa e a agulha – é o chamado volume morto. Em seringas comuns, em média 3% da quantidade da vacina ficam nesse espaço. Nas mais eficientes, chamadas de seringas de baixo volume morto, essa perda é muito menor, de apenas 0,3%. A diferença está no formato da seringa e do êmbolo – a parte que empurra a vacina para fora.

Na quarta-feira (27), um integrante da força-tarefa da Casa Branca de combate à covid disse que o governo de Joe Biden vai comprar mais seringas de baixo volume morto para garantir a aplicação das seis doses de cada frasco da vacina da Pfizer em todo o país.

A maior fabricante de seringas do mundo tem um contrato para fornecer 286 milhões de seringas para o governo americano. Mas apenas 40 milhões são desse modelo que combate o desperdício.

Em uma entrevista para a agência de notícias Reuters, um porta-voz da empresa disse que a capacidade de produção dessas seringas é limitada. A possibilidade de faltar seringa preocupa os especialistas.

O diretor da Sociedade Americana de Farmacêuticos, Michael Ganio, reconheceu que é um problema desperdiçar vacina por não ter o equipamento adequado, mas que a realidade é que a seringa certa pode não estar sempre disponível.

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