Domingo, 08 de novembro de 2026
Por Redação O Sul | 30 de janeiro de 2021
O Rio de Janeiro está próximo de alcançar a marca de 100 médicos mortos por coronavírus. Segundo a última atualização feita pelo Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj), 90 profissionais já perderam a batalha contra a doença.
“A gente não pode jamais achar que isso é aceitável”, afirma o presidente do Cremerj, Walter Palis Ventura. Ventura defende prioridade à vacinação de quem atua na linha de frente no combate ao vírus.
“É evidente que se há escassez de vacina é preciso priorizar quem está mais exposto ao vírus”. O Cremerj começou a imunizar médicos com mais de 60 anos, em parceria com a prefeitura do Rio. Até agora, 1500 foram vacinados. Ao todo, a cidade tem 14.320 médicos nessa faixa etária.
Desperdício de vacinas
Enfermeiros da cidade do Rio de Janeiro estão recorrendo ao sindicato da categoria (Sindenfrj) para denunciar desperdício de vacinas contra o coronavírus. O órgão, que recebeu até o momento oito denúncias, e infectologistas consultados veem falhas de planejamento em unidades de saúde por trás dos descartes de imunizantes. “Foi perda de vacina. Enquanto a gente vive um momento de tão poucas doses, ficamos pasmos de ver esse desprezo. É falta de organização”, diz Mônica Armada, presidente do Sindenfrj. A SMS (Secretaria Municipal de Saúde) afirmou, por meio de nota, que para evitar desperdício “está excepcionalmente indicada a aplicação em outros profissionais da própria unidade”.
Entre as denúncias recebidas pelo sindicato, enfermeiros de uma Clínica da Família da zona oeste relataram que praticamente um vidro inteiro do imunizante Oxford/AstraZeneca —que contém o equivalente a dez doses— foi descartado com vacina por falta de uso. “O frasco tem dez doses, teve clínica que só usou uma, ou seja, nove foram descartadas. Eu liguei imediatamente para o secretário de Saúde [Daniel Soranz]”, disse Mônica Armada.
A determinação era, até então, imunizar profissionais de saúde com 60 anos ou mais, porém o fluxo desse público-alvo está pequeno. Segundo orientação da fabricante, após a abertura do frasco da vacina, as doses devem ser usadas em até 6 horas —depois disso, a vacina pode perder propriedades farmacológicas ou potência, não devendo portanto ser mais usada. “A orientação que nós tivemos era de dar a dose apenas para esse público-alvo. Jogamos fora porque ficamos com medo de vacinar uma outra pessoa e depois nos chamarem atenção ou até sermos demitidos. Mas isso é um absurdo, isso parte o coração”, relatou um profissional de saúde que pediu para não ser identificado.
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