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Geral Entenda o que já se sabe sobre as mutações do coronavírus e seu impacto nas vacinas

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Os chefes de Executivo argumentam que a vacinação em massa é a alternativa mais indicada, se não a única, para deter a pandemia. (Foto: Reprodução). (Foto: Tony Winston/MS)

Novas linhagens do coronavírus se espalham e provocam apreensão no mundo. Causam particular preocupação as linhagens surgidas recentemente no Brasil, na África do Sul e no Reino Unido. Possivelmente, elas são mais contagiosas e conseguem escapar do ataque de anticorpos. Isso tornou ainda mais necessário vacinar o maior número de pessoas o mais depressa possível, alertam cientistas.

Entenda a seguir o motivo do alarme e por que o surgimento de mutações já faz países fecharem as portas aos brasileiros.

Vacinação

1) Qual a chance de as vacinas perderem totalmente a eficácia com as mutações do coronavírus?

É considerada muito pequena. Porém, não se descarta que precisem ser atualizadas, caso o vírus mude significativamente. O Sars-CoV-2 é relativamente estável e sofre menos mutações do que o vírus influenza, cujas alterações frequentes fazem com que os imunizantes tenham que ser “atualizados” e tenhamos que nos vacinar todos os anos.

2) Quão difícil seria atualizar as vacinas para as novas variantes?

Cientistas não consideram difícil e pode ser feito rapidamente e sem necessidade de grandes testes. Porém, isso depende da vigilância eficiente para a detecção de novas mutações e variantes.

3) Novas mutações e variantes são as responsáveis pela segunda onda no Brasil e na Europa?

A cientista Carolina Voloch, da UFRJ, autora da mais recente análise sobre a disseminação das variantes no Brasil, diz que não. A culpa do agravamento da pandemia é das autoridades de saúde que não adotaram medidas de contenção. Uma pessoa só se infecta ou reinfecta se for exposta.

4) Por que é preciso vacinar o mais rapidamente possível o maior número de pessoas?

Porque quanto maior for a proporção de uma população vacinada, menor será o número de pessoas suscetíveis e haverá menos oportunidades para o coronavírus se propagar e mutar, explicam na revista médica Lancet Thomas Williams, da Divisão de Virologia Médica da Universidade de Edimburgo (Escócia), e Wendy Burgers, do Instituto de Doenças Infecciosas da Universidade do Cabo (África do Sul).

5) Países que vacinarem toda a população estarão a salvo?

Não se o vírus mudar de forma significativa. À medida que as novas variantes se espalham pelo mundo fica evidente que a tragédia dos países menos vacinados, em sua maioria os mais pobres, se tornará global. Quanto mais o vírus se propaga e mais tempo se leva para imunizar as pessoas, mais chance ele tem de adquirir mutações que podem reduzir a eficácia das vacinas.

Isso, em tese, deixaria mesmo as pessoas já vacinadas vulneráveis se os vírus mutantes conseguirem escapar dos anticorpos que elas produziram em resposta a formas anteriores do coronavírus, explicou ao The New York Times Andrea Taylor, vice-diretora do Centro Duke de Inovação em Saúde Global, nos EUA. “Ninguém está seguro até que todos estejam protegidos”, disse.

6) E quando se poderia imaginar que uma parcela significativa da população mundial estará vacinada?

No cenário mais otimista, em 2023.

7) E como conter a pandemia antes da vacinação?

A receita é conhecida: uso de máscara, de medidas de distanciamento e de cuidados de higiene.

Vacinas contra as variantes

1) O que se sabe sobre as vacinas e as novas variantes?

Todos os desenvolvedores de vacina estão investigando o assunto. O estudo mais significativo foi o ensaio clínico do imunizante da Janssen/J&J (ainda sem previsão de uso no Brasil) porque ele incluiu voluntários mais recentemente, quando essas variantes já estavam em circulação.

Ele mostrou uma redução na eficácia na América Latina e na África do Sul em comparação com os EUA, provavelmente em função das novas variantes. Porém, ainda assim, a eficácia global contra a covid-19 grave foi de 85%. Isto é, a vacina pode reduzir hospitalização e morte a despeito das variantes.

2) E das demais vacinas?

A Novavax (também sem previsão para o Brasil), que espera entrar em uso em breve no exterior, se mostrou 85% eficaz contra a variante britânica, mas fracassou contra a sul-africana (menos de 50%) nos testes com voluntários.

3) E as vacinas já aprovadas para uso?

A Moderna (também sem previsão de chegada no Brasil) e a Pfizer/BioNTech (negociação ainda sem desfecho) disseram que seus imunizantes protegem contra a linhagem britânica. Porém, a Moderna informou que testes indicaram perda de potência contra a sul-africana. A Pfizer disse que não houve perda de eficácia, mas seu estudo foi com apenas 15 pessoas e são necessários mais estudos. A AstraZeneca/Oxford ainda não deu informações sobre variantes e resultados da África do Sul são esperados nos próximos dias.

4) E a CoronaVac?

O laboratório chinês Sinovac, fabricante da CoronaVac, disse que, em estudos preliminares, a vacina foi eficaz contra as variantes britânica e sul-africana. Mas não forneceu maiores detalhes.

5) E o que se sabe sobre as variantes brasileiras e as vacinas?

Existem apenas suposições, já que as variantes brasileiras não foram alvo dos estudos dos laboratórios farmacêuticos. Porém, tanto a P1 quanto a P2 têm a mutação E484K presente na variante sul-africana.

6) E o que está sendo estudado sobre as variantes brasileiras?

Cientistas de 12 laboratórios de universidades, como a UFRJ, a USP e a Unicamp, e centros de pesquisa, a exemplo da Fiocruz, criaram uma frente de investigação, em janeiro sobre a P1 e a P2.

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