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Política O Ministério da Saúde ignora reunião sobre a falta do chamado “kit intubação” e de oxigênio nos hospitais

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A determinação vale até que sejam concluídas as análises de um caso raro de morte de uma gestante de 35 anos por causa de um AVC hemorrágico. (Foto: EBC)

O Ministério da Saúde ignorou nesta terça-feira (23) uma reunião da Comissão de Enfrentamento à Covid-19 na Câmara dos Deputados, sobre a falta do chamado kit intubação e também de oxigênio nos hospitais do País.

O coronel Luiz Otávio Franco Duarte, secretário de Atenção Especializada à Saúde, era esperado, mas não apareceu.

A pasta não justificou a ausência aos deputados, tampouco mandou um emissário.

O colegiado fez uma reunião extraordinária sobre a crise no fornecimento de oxigênio e medicamentos para a intubação, que se espalha pelo Brasil.

Secretários de Saúde estaduais e municipais, a empresa White Martins, a Anvisa, e representantes de farmacêuticas e hospitais estiveram presentes.

Suspensão de cirurgias

A Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA) divulgou nota na segunda-feira (22) pedindo a interrupção provisória do agendamento de cirurgias eletivas que utilizem os medicamentos que estão em falta para o tratamento de pacientes da covid-19. A intenção é poupá-los para as UTIs desabastecidas e também anestesias para cirurgias de urgência.

A decisão foi tomada após duas reuniões, a primeira na sexta-feira (19), com outras entidades médicas, além da diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e representantes do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems).

No último sábado (21), houve encontro com o novo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, para o estudo de medidas que poderão vir a atenuar a grave situação. As entidades médicas elaboraram um documento com as recomendações.

Os especialistas sugerem providenciar medidas administrativas que facilitem a importação desses medicamentos. Também recomendam a interrupção, provisória, do agendamento de procedimentos anestésico-cirúrgicos eletivos em que são utilizados quaisquer desses medicamentos.

Hospitais filantrópicos de São Paulo alertaram em nota que possuem estoques de medicamentos indispensáveis no tratamento da covid-19 suficientes para apenas mais uma semana. O comunicado da Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes do Estado (Fehosp) explicou que os produtos em escassez são os sedativos e bloqueadores neuromusculares que compõem o chamado “kit intubação”, essencial para intubar e manter intubados pacientes em estado crítico.

Na sexta (19), a Associação Nacional de Hospitais Privados declarou em carta aberta que as requisições do governo federal feitas à indústria para aquisição de remédios do chamado “kit intubação” estão desorganizando a cadeia de suprimentos e ameaçam o estoque das unidades particulares de saúde.

Recorde de mortes

O Brasil bateu mais uma triste marca na pandemia nesta terça, registrando mais de 3 mil mortes por covid em um dia pela primeira vez. Foram 3.158 mortes pela doença nas últimas 24 horas, totalizando 298.843 óbitos desde o início da pandemia.

Com isso, a média móvel de mortes no País nos últimos 7 dias chegou a 2.349, mais um recorde no índice. Em comparação à média de 14 dias atrás, a variação foi de +43%, indicando tendência de alta nos óbitos pela doença.

O levantamento foi feito pelo consórcio de veículos de imprensa sobre a situação da pandemia de coronavírus no Brasil a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde.

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