Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 24 de março de 2021
O atraso da entrega das vacinas contra a covid-19 da AstraZeneca/Oxford para a União Europeia está gerando tensões com o Reino Unido, que saiu oficialmente do bloco no ano passado.
Cerca de 29 milhões de doses da vacina contra a covid-19 da AstraZeneca foram encontradas em uma inspeção em uma fábrica na Itália no último fim de semana, disse, nesta quarta-feira (24) um representante do governo da França. Ainda há investigação para saber se as doses seriam exportadas.
A AstraZeneca afirmou que esse estoque tem como destino as doações aos países pobres que integram o programa Covax, que é capitaneado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Já o jornal italiano Daily La Stampa diz que as doses seriam exportadas para o Reino Unido. O problema é que o volume de doses encontrado na Itália é quase o dobro do que foi recebido pela União Europeia até agora.
A União Europeia e a AstraZeneca estão em um momento de relação difícil.
A empresa diminuiu a previsão de vacinas que serão destinadas ao bloco. O Reino Unido também pretende receber uma quantidade maior de vacinas.
A Comissão Europeia não quis comentar sobre as doses na fábrica de Anagni.
A fábrica de Anagni é responsável pelo engarrafamento produzidas na fábrica de uma empresa chamada Halix, que foi subcontratada pela AstraZeneca para a manufatura.
A fábrica de vacinas dessa Halix está listada no contrato que a AstraZeneca assinou com a União Europeia em agosto, como uma das que iriam produzir para fornecer para o próprio bloco.
No entanto, a fábrica da Halix ainda não foi aprovada pela União Europeia, pois a AstraZeneca não enviou dados suficientes para o regulador de medicamentos do bloco. As vacinas produzidas lá não podem ser usadas até que essa aprovação seja recebida.
Não está claro por que a AstraZeneca não solicitou a aprovação para a fábrica logo no começo da pandemia. A farmacêutica anglo-sueca não quis comentar sobre isso.
Acordo
A União Europeia e o Reino Unido chegaram a um acordo nesta quarta-feira (24) nas negociações realizadas em Bruxelas sobre o compromisso de criar as condições necessárias para expandir o fornecimento de vacinas anti-covid para todos os cidadãos.
A declaração foi dada pela Comissão Europeia e pelo primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, em comunicado conjunto, que diz que a cooperação para combater a pandemia é muito importante.
Bruxelas e Londres estão empenhados em chegar a um acordo em que ambas as partes ganhem. “Estamos discutindo o que mais podemos fazer para assegurar o benefício recíproco da relação entre a UE e o Reino Unido em relação à covid-19”, diz.
A Comissão Europeia endureceu as regras para a exportação das vacinas anti-covid produzidas em seus 27 Estados-membros e incluiu a “reciprocidade” e “proporcionalidade” entre os critérios para a avaliação do envio das doses.
A medida acertou em cheio o Reino Unido e a farmacêutica AstraZeneca, que produz a vacina contra o coronavírus desenvolvida com a Universidade de Oxford.
Desta forma, ambas partes decidiram realizar negociações para encerrar a “guerra” das vacinas. “A abertura e a cooperação global entre todos os países serão a chave para superar definitivamente a pandemia e melhor se preparar para enfrentar os desafios futuros”, finaliza o texto.
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