Sexta-feira, 12 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 28 de março de 2021
O ataque do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, a senadora Kátia Abreu (PP-TO), provocou uma forte reação de outros senadores neste domingo (28). Nas redes sociais, os parlamentarem saíram em defesa de Kátia, criticaram o chanceler e voltaram a pedir sua saída. “Ernesto e democracia não andam juntos”, publicou Simone Tebet (MDB-MS).
O que aconteceu?
Na tarde deste domingo, o ministro publicou nas redes sociais sobre um almoço que teve com a senadora Kátia Abreu no início de março. Nele, ele alega que teria ouvido dela que se tornaria o “rei do Senado” se fizesse um gesto em relação ao 5G, mas que não fez “gesto algum”.
Para interlocutores do Planalto ouvidos pelo comentarista Gerson Camarotti, o ataque direcionado à senadora, que é presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, é um ato de desespero de Araújo, cujo cargo já estaria sendo sondado pelo Planalto.
A avaliação é a de que o ministro busca uma saída honrosa ao adotar o discurso de vítima, estratégia vista anteriormente com Abraham Weintraub, ex-ministro da Educação, pouco antes de ele deixar o MEC.
No Senado, parlamentares afirmaram ao blog da Andréia Sadi que veem no ataque de Ernesto uma ação “orquestrada” que conta, inclusive, com o apoio dos filhos de Jair Bolsonaro e que não passa de uma “cortina de fumaça”.
“Desvio marginal”
A senadora Kátia Abreu se defendeu do ataque de Ernesto e, em nota, afirmou que é “uma violência resumir três horas de um encontro institucional a um tuíte que falta com a verdade”.
“Se um chanceler age dessa forma marginal com a presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado de seu próprio país, com explícita compulsão belicosa, isso prova definitivamente que ele está à margem de qualquer possibilidade de liderar a diplomacia brasileira.Temos de livrar a diplomacia do Brasil de seu desvio marginal”, disse a senadora.
Repercussão no meio político
A senadora Simone Tebet foi uma das mais contundentes ao criticar Araújo e afirmou que “não há opção” a não ser sua saída. Ela disse ainda que o ministro planta insinuações e lança “sementes de joio nos campos da democracia”: “Quando menos a gente espera a democracia se vê sufocada”.
“Não adianta somente podá-lo, porque a poda vai fortalecer a planta. Desse joio é preciso arrancar as raízes, fertilizar as mudas democráticas e ‘forjar na democracia o milagre do pão’. Ernesto e democracia não andam juntos. Não há opção. Democracia fica. Ernesto tem de sair’, escreveu Simone Tebet.
Alessandro Vieira (Cidadania-SE) fez coro às palavras da colega e embora diga que a decisão de manter ou não um ministro cabe a Jair Bolsonaro, afirmou que a permanência do ministro é um “grave erro e terá consequências”.
“Demitir ou manter um ministro é obviamente prerrogativa exclusiva do presidente da República, mas é oportuno registrar que a manutenção de um ministro incompetente, irresponsável e que trabalha contra os interesses nacionais é um grave erro e terá consequências.”
Para Humberto Costa (PT-PE), Araújo está fazendo “hora extra”. “Faz tempo que o chanceler Ernesto Araujo está fazendo hora extra no cargo. Peça para sair, ministro”, publicou o senador de Pernambuco.
Rodrigo Pacheco, presidente do Senado disse:”A tentativa do ministro Ernesto Araújo de desqualificar a competente senadora Kátia Abreu atinge todo o Senado Federal. E justamente em um momento que estamos buscando unir, somar, pacificar as relações entre os Poderes. Essa constante desagregação é um grande desserviço ao País”.
Já Davi Alcolumbre (DEM-AP), ex-presidente do Senado, afirmou: “Meu incondicional apoio à presidente da comissão de Relações Exteriores do Senado, Kátia Abreu. A insinuação irresponsável por parte de um ministro não é somente um desrespeito ao Senado Federal. É um ato contra todos que constroem a longa e honrosa tradição da diplomacia brasileira”.
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