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Política Wilson Witzel é o primeiro governador do Rio de Janeiro a sofrer impeachment; cinco ex-governadores daquele Estado foram presos em três anos

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Em redes sociais, Wilson Witzel se diz inocente. (Foto: Marcelo Camargo/ABr)

Com cinco governadores ou ex-governadores presos entre 2016 e 2019, o Rio de Janeiro viveu na sexta-feira (30) um evento inédito desde a redemocratização. O impeachment de Wilson Witzel (PSC) é o primeiro na história do Estado desde que Badger Teixeira da Silveira foi destituído pelo regime militar, em 1964.

O ex-juiz federal deixa o cargo acusado de desvios na Saúde em meio à pandemia de covid-19. No Superior Tribunal de Justiça (STJ), ele responde a um processo criminal semelhante, onde é réu por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Assim como o antecessor, Witzel deixa o cargo antes do mandato. Antes dele, Luiz Fernando Pezão MDB) foi preso a 31 dias do fim da gestão.

O emedebista foi denunciado por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Mas teve melhor sorte na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Comandada por um outro investigado e correligionário, Jorge Picciani (MDB), a Casa não chegou a levar o processo de impedimento ao fim. Um deles se arrastou por quase dois anos.

O chefe da organização, segundo o Ministério Público Federal (MPF), era o também ex-governador Sérgio Cabral (MDB) — o único dos governadores que continua preso.

Moreira Franco – Governador do Rio entre 1987 e 1991, Moreira Franco foi preso no dia 21 de março de 2019 pela Lava Jato no Rio de Janeiro, em uma operação que também tinha como alvo o ex-presidente Michel Temer. A investigação é relacionada a obras da usina nuclear de Angra 3.

Dono da Engevix, José Antunes Sobrinho disse que Moreira Franco foi um dos que pediu propina a Temer. Ele foi solto dias depois da prisão.

Pezão – Pezão foi preso em novembro de 2018, com base na delação premiada de Carlos Miranda, operador financeiro de Cabral.

Ele diz que Pezão tinha uma mesada de propina de R$ 150 mil e que chegou a receber bônus de R$ 1 milhão de propina.

Cabral – Sérgio Cabral foi preso em novembro de 2016, suspeito de receber propina para a concessão de obras públicas. Cabral segue preso e está na penitenciária de Bangu 8.

Governador do Rio entre 2007 e 2014, ele responde a 31 processos e foi condenado em 18 deles, somando 342 anos de prisão na Justiça Federal do Paraná e do Rio de Janeiro.

Anthony Garotinho e Rosinha Garotinho – Rosinha Matheus Garotinho foi presa junto ao marido, Anthony Garotinho, em novembro de 2017 por crimes eleitorais. Eles negam a prática do crime.

A ex-governadora ficou presa por uma semana na Cadeia Pública de Benfica e está solta desde então. A ação que prendeu Rosinha e o marido apurava os crimes de corrupção, concussão, participação em organização criminosa e falsidade na prestação das contas eleitorais.

Garotinho foi preso três vezes no período de um ano. A primeira, em 16 de novembro de 2016, na Operação Chequinho, que investiga um esquema de compra de votos envolvendo o programa social Cheque Cidadão na eleição municipal daquele ano.

A segunda prisão de Garotinho foi em setembro de 2017, quando foi condenado por fraude eleitoral. Na ocasião, o ex-governador cumpriu prisão domiciliar com o uso de tornozeleira eletrônica. A terceira prisão foi em novembro de 2017, com sua mulher, a também ex-governadora Rosinha Matheus.

Rosinha foi governadora entre 2003 e 2006 e Garotinho entre 1999 e 2002.

Defesa dos citados

O ex-governador Moreira Franco nega os crimes e disse que houve inconformidade na prisão cautelar, já que ele sempre se apresentou quando solicitado e está a disposição das investigações em curso.

A defesa de Pezão disse que ele nega que tenha recebido qualquer valor a título de propina e também de que tenha recebido R$ 400 milhões para a campanha à reeleição, como dito por Cabral em fevereiro de 2020.

Garotinho e Rosinha alegam que a prisão dos dois não tem relação com a Lava-Jato e são casos do âmbito da Justiça Eleitoral de Campos.

Em redes sociais, Wilson Witzel se diz inocente, perseguido politicamente por ter combatido a corrupção e criticou o o julgamento, segundo ele baseado em uma delação mentirosa, do ex-secretário de Saúde Edmar Santos.

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