Quinta-feira, 01 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 6 de maio de 2021
O Instituto Butantan pode atrasar entregas da CoronaVac, vacina contra a covid-19 feita em parceria com o laboratório chinês Sinovac, ao Ministério da Saúde por falta de IFA (insumo farmacêutico ativo) importado da China. O presidente da instituição, Dimas Covas, atribuiu o possível atraso à a postura do governo Jair Bolsonaro em relação ao país asiático.
Bolsonaro insinuou em discurso, na quarta-feira (5) que o novo coronavírus, causador da covid-19, pode ter sido criado pela China como parte de uma “guerra bacteriológica”, nas palavras do presidente. Recentemente, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse em uma reunião, que ele não sabia que estava sendo gravada, que o coronavírus teria sido criado por chineses.
Em entrevista coletiva para marcar a entrega de uma remessa de 1 milhão de doses da vacina ao Programa Nacional de Imunização (PNI) do ministério, Covas afirmou que o atraso na chegada do IFA não se deve a problemas na produção da Sinovac, que envia a matéria-prima ao Brasil para o Butantan envasar doses da vacina, mas à demora na autorização de envio pelo governo chinês.
Dimas Covas disse que as declarações recentes contrárias à China, vindas de autoridades do governo federal, têm dificultado a liberação das remessas de IFA pelo governo chinês.
“Embora a Embaixada da China no Brasil venha dizendo que não há esse tipo de problema, a nossa sensação, de quem está na ponta, é de que existe dificuldade. Uma burocracia que está sendo mais lenta que o habitual e autorizações com volumes cada vez mais reduzidos. Isso obviamente tem impacto, essas declarações têm impacto e nós ficamos à mercê dessa situação”, disse.
“Nós temos que entregar até o dia 14 o restante – que vai totalizar 5 milhões de doses – do IFA de 3 mil litros e, após isso, não temos mais matéria-prima para processar… Pode faltar? Pode faltar, e aí nós temos que debitar isso principalmente ao nosso governo federal, que tem remado contra.”
Apesar das insinuações feitas por Bolsonaro, criticadas por parlamentares como o presidente da CPI da Covid no Senado, Omar Aziz (PSD-AM), e o presidente da Frente Parlamentar Brasil-China, deputado Fausto Pinato (PP-SP), uma investigação da OMS (Organização Mundial da Saúde) apontou que a origem mais provável do novo coronavírus foi um mercado em Wuhan, na China, e que o vírus pode ter passado de um morcego para um outro animal que o transmitiu a humanos.
O presidente do Butantan reforçou que o novo coronavírus não foi produzido na China e não faz parte de uma guerra biológica: “A Organização Mundial da Saúde fez uma auditoria em Wuhan e deixou claras as condições de surgimento deste vírus. O relatório foi disponibilizado para o mundo. A China fez o que o Brasil não fez, conseguiu controlar a epidemia”, disse.
Relações econômicas e comerciais
Também nesta quinta-feira, o ministro das Relações Exteriores, Carlos França, disse que o Brasil pretende ampliar e diversificar as relações econômicas e comerciais que têm com a China. Em audiência na Comissão de Relações Exteriores do Senado, o chanceler acrescentou que a relação com o país asiático está entre as prioridades do governo brasileiro.
Ao iniciar sua fala, o ministro das Relações Exteriores disse que a China é um dos países priorizados pelo Brasil e que, além de ser o maior parceiro comercial, é um dos nossos cinco maiores investidores estrangeiros.
“O comércio bilateral cresceu em 2020, apesar da pandemia, para volume recorde de US$ 102,5 bilhões, com saldo superavitário para o Brasil de US$ 33 bilhões. Queremos um relacionamento econômico e comercial maior e mais diversificado com a China. Nossas exportações, ainda concentradas em poucos produtos primários, poderão expandir-se em quantidade e em variedade”, disse o chanceler. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo, do Butantan e da Agência Brasil.
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